Certos espíritos ateístas estão profundamente enraizados em Cristo.

Posted in Filosofia, Nelson Costa on March 9, 2010 by Nelson Costa

Quando Nietzsche anuncia a morte de Deus, ele fala do Deus que tem que morrer mesmo, porque é o Deus das nossas cabeças, o Deus inventado, o Deus da metafísica, o Deus que não é vivo. Ele fez uma oração que traduzi, sem chegar a transmitir todo o seu teor poético. O titulo é:  A Oração ao Deus Desconhecido.

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: “Ao Deus desconhecido”.

Sei, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Sei, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.

Eu quero Te conhecer, desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a

minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te

conhecer, quero servir só a Ti.

(Friedrich Nietzsche)

Uma ortodoxia herética – Como falar de algo que não pode ser dito?

Posted in Nelson Costa on March 8, 2010 by Nelson Costa

Peter Rollins & Nelson Costa.

Peter Rollins levanta, com suas parábolas, o véu que cobre a essência da teologia cristã mundial dessa nova era. Num clima descontraído, e iluminado por um lindo dia, tive a oportunidade de me encontrar com Peter, e aprender um pouco mais  sobre essa sua tremenda capacidade.

Escritos religiosos geralmente são concebidos para tornar a verdade da fé clara, concisa e saborosa. Parábolas subvertem essa abordagem – disse Peter. Na parábola, a verdade não é expressada através de um discurso teológico empoeirado, que visa nos educar, mas surge como um discurso lírico, que nos inspira e transforma – complementei.

À luz disto, conversamos sobre as novas fronteiras que o Cristianismo necessita ultrapassar, falamos sobre a necessidade de transformação e não somente de readaptação que a Igreja precisa enfrentar, e sobre a ferramenta utilizada por Deus conhecida como “mistério”, que precisamos abraçar.

Brevemente, Peter lançará seu novo livro, que certamente esquentará mais as fogueiras da nova inquisição cristã. Mas enquanto isso não acontece, ele autografou o seu último livro “Uma ortodoxia herética”, para ser doado aos leitores do meu blog – sorteio via twitter, me adicione e participe!

Enfim, o papo foi muito bom, e brevemente estaremos juntos novamente – pelo menos por necessidade. Com o “The The Insurrection Tour” batendo às portas, o “Vox Emergente no Brasil” quase acontecendo, e o “TRANSform Conference” se aproximando, em breve terei mais notícias para dar a todos, pois a essa altura o efeito da cafeína já passou há tempo e amanhã tem mais um dia inteiro de bate-papo na Igreja que trabalho! Paz e Espírito de Criatividade!

O Deus mendigo.

Posted in Teologia. on March 5, 2010 by Nelson Costa

Diante do infinito, todo o finito torna-se irrelevante. Há muitas maneiras de enunciar o argumento.

José Comblin

Durante séculos os teólogos debateram a questão da predestinação, isto é, da compatibilidade entre a liberdade de Deus todo-poderoso e a liberdade humana. Assim fazendo, situaram no mesmo plano as duas liberdades. Se os teólogos – tomistas, dominicanos e jesuítas – tomaram essa posição durantes séculos, não é estranho que filósofos façam a mesma coisa. De qualquer maneira, a pessoa sente tantas vezes o conflito entre a sua vontade, o seu desejo e o que diz que é a vontade de Deus, que a reação parece inevitável. Os sartreanos sustentam que, para ser livre, é necessário negar a existência de Deus. Infelizmente para eles, Deus não depende das negações ou das afirmações de Sartre. A verdadeira resposta está na fraqueza de Deus. O nosso Deus é um Deus “escondido” – tema constante da tradição espiritual cristã.

É um Deus que se manifesta no meio da nuvem, que se faz perceptível, mas não impõe a sua presença. A liberdade consiste justamente nisto: diante do outro, a pessoa pára, reconhece e aceita que exista. Abre espaço, acolhe. Longe de dominar, escuta e permite que o outro fale primeiro. Assim Deus suspende o poder de Deus.

Nenhuma evidência, nenhuma ameaça, nenhum constrangimento força nem obriga. Deus permite e deixa fazer. Deus respeita o outro na sua alteridade e permite, até mesmo, que o outro se destrua sem intervir. A liberdade de Deus consiste em permitir e ajudar a liberdade do menor dos seres humanos. A liberdade de Deus reprime o poder. Torna-se fraca para que possa manifestar-se a força humana.

Read more »

Não faça uma imagem do “Eu Sou”.

Posted in Psicologia., Vida & Realidade on March 2, 2010 by Nelson Costa

Para muitas pessoas religiosas, a questão popular “O que faria Jesus?”, é essencialmente o mesmo que, “O que eu faria?”. Diante disso, Nicholas Epley, da Universidade de Chicago nos USA, decidiu pesquisar essa idéia através de um intrigante e controverso experimento. Através da manipulação psicológica e cérebro-exploração, ele descobriu que quando os americanos religiosos tentam inferir a vontade de Deus, eles praticamente inferem suas próprias crenças pessoais.

Estudos psicológicos comprovam que, quando se trata sobre a questão da fé, as pessoas são egocêntricas. Elas usam suas próprias crenças como ponto de partida. Epley constatou que o mesmo processo ocorre quando as pessoas tentam adivinhar a mente de Deus. As opiniões e atitudes no final, são reflexos das crenças que cada indivíduo tem. “As mesmas partes do cérebro humano que definem as crenças, são as mesmas partes que definem a vontade de Deus”, disse Epley.

Read more »

A revelação divina no cristianismo primitivo: dialética entre tradição, escrituras e revelação.

Posted in Teologia. on March 1, 2010 by Nelson Costa

A visão moderna da cristandade fundamentalista é que a Bíblia ou “Sagradas Escrituras”, contém toda a revelação Divina. Trata-se de uma coleção de Livros Sagrados que contém relatos desde a Criação do universo, até o que virá no Final dos Tempos. Foi através das Sagradas Escrituras que Deus se comunicava e se comunica até os dias de hoje com Seus Filhos para Se revelar, ensinar, guiar, repreender, exortar, instruir, encorajar, enfim para Se comunicar com suas Criaturas tão amadas. A Bíblia, quando utilizada em oração, é o diálogo com Deus.

João Crisóstomo, um dos Padres de Igreja, – diz a lenda – antes de ler o “Livro Santo”, rezava a seguinte oração: “Senhor Jesus Cristo, abre os olhos do meu coração para que eu possa compreender e realizar a tua vontade… ilumina meus olhos com a tua luz”. Do mesmo modo, nos aconselha Santo Efraim: “Antes de qualquer leitura, reze e suplique a Deus para que Ele se revele a ti”. Poderíamos dizer que, para os Padres, a Bíblia é o Cristo em pessoa, pois, cada palavra sua, afirmavam, era capaz de colocá-los na presença de Jesus Cristo, como afirma Santo Agostinho: “Ele, Aquele que eu busco nos livros”.

De fato, para esses cristãos, a Escrituras sagrada se caracterizava como a revelação de Deus aos homens – revelação essa que, muitas vezes, dispensava a necessidade de qualquer outra revelação.

Read more »

Slavoj Žižek – Sobre Religião

Posted in Filosofia on February 26, 2010 by Nelson Costa

Um possível Deus Imanente?

Posted in Filosofia, Teologia. on February 25, 2010 by Nelson Costa

Vivemos nossas vidas inescrutavelmente incluídos na fluente vida do Universo.

Martin Buber, I and You

Para algumas pessoas, a idéia de um Deus transcendente que cria e provavelmente controla o Universo a partir de um local privilegiado fora das leis da física, além do espaço e do tempo, continuará sempre convidativa. Não há nada que os impeça de imaginar que esse Deus precedeu — e provavelmente criou — o Big-Bang. Esta é uma posição perfeitamente sustentável, embora nos deixe com um Deus que não sofre, Ele mesmo, nenhuma transformação criativa, que não está em diálogo com Seu mundo, e tudo isso deve continuar sendo inteiramente uma questão de fé.

Mas, se pensarmos em Deus como algo inserido nas leis da física, ou algo que as emprega, então o relacionamento entre o vácuo e o Universo existente sugere um Deus que poderá ser identificado com o sentido básico de direção na expansão do Universo — talvez até com uma consciência em evolução dentro do Universo. A existência de um tal “Deus imanente” não impede que também exista um Deus transcendente; no entanto, devido ao que conhecemos do Universo, o Deus imanente (ou o aspecto imanente de Deus) nos é mais acessível.

Esse Deus imanente estaria sempre empenhado num diálogo criativo com Seu mundo, conhecendo-Se a Si mesmo apenas na medida em que conhece Seu mundo. Este é o conceito de Deus proposto com grande força  por Teilhard de Chardin, e mais recentemente pela “teologia do processo”, e é um conceito em termos do qual torna-se razoável falar de seres humanos — com nossa física da consciência que espelha a física do vácuo coerente — concebidos à imagem de Deus, ou como parceiros da criação de Deus. Nas palavras de Teilhard:

Não estamos preocupados apenas com o pensamento como algo que participa da evolução como uma anomalia ou um epifenômeno; mas a evolução como algo tão reduzível ao pensamento, e tão identificável com um progresso em direção ao pensamento, que o movimento de nossas almas expressa e mede os exatos estágios da própria evolução. O homem descobre que ele não é senão a evolução que se tornou consciente de si mesma, para usar a expressão concisa de Julian Huxley.

Read more »

Teologia na Pós-modernidade – 2 Parte.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on February 23, 2010 by Nelson Costa

Coragem de ser.

Um outro mundo é possível agora,  e está disponível para todos os que crêem.

Brian Mclaren.

A pós-modernidade, o niilismo, a vida sem sentido, o “tempo do desespero”, a morte de Deus, o perecimento das Igrejas, o fim das ideologias; tudo isto permeia e ameaça o ser humano (e a religião atual). “A terra tinha sido expulsa do centro do mundo”: com Copérnico, o homem deixou de estar no centro do Universo; com Darwin, o homem deixou de ser o centro do reino animal; com Marx, o homem deixou de ser o centro da história e, com Freud, o homem deixou de ser o centro de si mesmo, notou Eduardo Prado Coelho. André Comte-Sponville inicia seu livro O tratado do desespero e da beatitude com estas temáticas da situação humana atual. “O homem do século XX perdeu um mundo significante e um eu”, nota Paul Tillich, que não viveu a pós-modernidade, mas de uma certa forma a previu pela “perda de Deus do século XIX”, com Feuerbach e Nietzsche, e, sobretudo, pelo existencialismo (que é o problema e a resposta atual). O ser humano na pós-modernidade perdeu seu mundo (desespero), suas referências de ser (insignificante) e todas as “garantias” dos esquemas explicativos (como a ciência e a religião). Só lhe restam a ansiedade, o insignificante, o medo e o desespero diante das
coisas da vida, como nota André Comte-Sponville. Este é o cenário para reflexão da pós-modernidade. “A ansiedade que determina nosso período”, diz Paul Tillich, “é a ansiedade da dúvida e do sem valor”: perdeu-se a significação da própria existência. Na perda do significado da existência, o ser humano, frente ao seu vazio interior, busca sentido para a vida.

Read more »

Balcãs, cinema e a multiculturalidade – Entrevista dada por Slavoj Zizek no Festival de Cinema de Sarajevo.

Posted in Filosofia on February 22, 2010 by Nelson Costa

Por que a religião ainda permanece ?

Posted in Psicologia., Teologia. on February 20, 2010 by Nelson Costa

Hoje, a freqüente emergência de movimentos religiosos, assim como o empenho aplicado ao fortalecimento das instituições que sobrevivem da veiculação do sagrado, nos demonstram até que ponto o território dos fundamentalismos tem se difundido. É possível, inclusive, que os vínculos que unem a civilização ao sagrado sejam mais fortes em nossa época do que o foram em outros momentos históricos. A zona limítrofe à qual a história da civilização nos trouxe causa tanta perplexidade que a retomada do culto ao Eterno não faz outra coisa senão ilustrar a tentativa de suportar o choque de uma realidade irremediavelmente fragmentada. A difusão do sagrado testemunha a súplica desesperada para que os estilhaços dessa realidade sejam reunidos, ainda que de modo bastante precário, a fim de restabelecer sua unidade imaginária.

Por essa razão, Lacan (2005) dirá que a religião está destinada a triunfar em nossa época. O triunfo da religião sobre a ciência e também sobre a psicanálise se justifica porque, na prática religiosa, Deus é a garantia de que há, ainda, uma verdade estável e permanente. O Onipotente confere estabilidade para aquilo que é, em si mesmo, pura contingência. Realizando um movimento contrário, a ciência e, mais precisamente, a psicanálise, nos informa que o estado real de nossa realidade é exatamente aquilo que podemos assistir a olho nu, e que as mídias, ao seu modo sensacional, não cessam de nos informar: jogo contínuo com o imprevisível, ausência de garantias ou controle.

Read more »