Os emergentes caminhos de Deus.

Posted in Teologia. on February 9, 2010 by Nelson Costa

Emergente sempre foi uma expressão do antigo futuro, que traz  o melhor do passado para o futuro.

Steve Knight.

Por trás de cada grande corrente teológica, por trás do Vaticano II , da teologia progressista, da teologia política, da teologia da libertação, há uma nova experiência de Deus. De repente se descobre Deus com outro rosto. A teologia é uma diligência, é um esforço de traduzir essa experiência. E as pessoas lêem teologia porque se sentem afinadas com a experiência que ela comunica. Se alguém escreve hoje um texto de teologia nos quadros teóricos do mundo medieval, ninguém lê nem entende, porque não diz nada para nós que vivemos um outro mundo.

Ocorre que, hoje dada a crise da cultura, isto é, a crise da pós-modernidade, dos nossos pontos de referência, ninguém sabe para onde vai a história, nem a Igreja sabe qual é o seu futuro. Ninguém sabe por onde vai a humanidade, por onde vai a política – principalmente esse ano no Brasil – , o destino dos pobres…E a Igreja, que está no mundo, também participa dessa confusão mental.

Apesar disso, momentos assim são sempre de profunda religiosidade. Quando a cultura entra em crise, há sempre uma volta do religioso. Porque o religioso refaz os elos entre as fases da história humana. É no religioso que a pessoa costura os grandes sonhos, as grandes utopias que lhe permitem viver e dão esperança de ir adiante. Porque a religião se especializou nessas inquietações. É o discurso especializado da crise do ser humano que pergunta : para onde vou ? De onde venho ? Quem sou eu ? Essas são as questões básicas da religião. Na crise mundial hoje, é natural, pertence à dinâmica do processo que as grandes mitologias, os grandes sonhos, as grandes vertentes religiosas se reanimem.

Há uma disputa feroz no mercado religioso por quem tem a melhor resposta. Existem propostas arcaicas das religiões fetichistas; outras que procuram aceitar o desafio de hoje, dentro da visão da cosmologia pós-moderna, esta nova visão que vem da física quântica, da nova antropologia, das ciências astrofísicas. Aí e um lugar de experiência de Deus, da nova revelação do sagrado. A maioria de nós não participa desse discurso acadêmico. Ele é muito científico. Nós estamos no cotidiano. É trabalhar, ganhar o pão para as crianças, um pouco de diversão. É uma experiência que trabalha os eixos existenciais que, no fundo, são a saúde, a doença, a frustração, o amor, o trabalho, o dinheiro, suficiente para poder viver, as angústias de se garantir a vida amanhã, a esperança radical.

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Promoção “The Great Emergence” – Nelson Costa & Phyllis Tickle.

Posted in Nelson Costa on February 7, 2010 by Nelson Costa

Phyllis Tickle e Nelson Costa com o material que será sorteado.


- Seria a “emergência da Igreja”  uma ameaça à “Igreja” ?

- Quais as razões dessa emergência espiritual hoje ?

- Qual é a força que sustenta essa emergência ?

De acordo com Phyllis Tickle, a “emergência” nunca ameaçou a Igreja, mas sim, a Instituição. Que as razões dessa emergência se dão devido a crise da racionalidade moderna, ou seja, da nossa maneira de entender o mundo, muito tributária da filosofia de Descartes e da física de Newton. E que a força por de trás dessa emergência , é muito mais profunda do que imaginamos.

Em seu livro “ The Great Emergence”Que sortearei aqui no blogue ,autografado por Phyllis Tickle – Tickle cuidadosamente articula sobre as mudanças históricas, e os pontos de ruptura que conduzem a Igreja para essa “emergência”. Ela responde a três perguntas: O que é, como veio a ser, e aonde vai terminar ? Sobre a  questão da definição de todas as reformas ela pergunta : Onde está a nossa autoridade?

O livro tem um aspecto importante nos eventos que antecederam a Sola Scriptura. O valor deste livro não pode ser subestimado. Ele nos ajuda a compreender não apenas o que está acontecendo dentro da nossa  história , mas também o que está acontecendo com o sistema sócio-religioso.

O que a Igreja está vivenciando hoje ? Por que nenhuma experiência parece suficiente para responder às ansiedades suscitadas por sua crise espiritual moderna ? Se tudo é utopia , e não podemos fazer nada, qual será o futuro da Igreja ? Quem se colocará em sua brecha ? Então?… Qual o caminho que devemos seguir?…

Enfim, se você deseja participar do sorteio  desse excelente material importado de Phyllis Tickle – autografado por ela – basta  adicionar-me  (@nelsoncost) em seu  twitter, e deixar seu comentário nesse tópico, juntamente com seu nome e e-mail. A promoção encerrará em 27/02/2010; juntamente com a promoção de estréia do blogue do meu amigo Thiago Mendanha.

Observação : O livro que será sorteado  está em inglês.

Em breve, sorteio do material autografado do meu amigo Peter Rollins!

Da Modernidade à Pós-modernidade – A visão em paralaxe de Frei Betto.

Posted in Teologia. on February 5, 2010 by Nelson Costa

Nada substitui a realidade. Mas é justamente ela que nos provoca fascínio e temor. Por isso é tão difícil dela se aproximar. No século XIII, meu confrade Tomás de Aquino respondeu a pergunta que Pilatos não obteve da boca de Jesus: “A verdade é a adequação da inteligência ao real”. É tudo o que busca a psicanálise. E os místicos. Por isso, ainda que receosos, não há como resistir à tentação. Para nós, cristãos, o real é Deus. Em seu amor reside a plenitude. Como o caminho rumo ao real requer o enfrentamento do próprio ego, que grita alto, então nos cobrimos de ilusões, disfarces, máscaras….

Vale a pena assistir a continuação “Aqui”.

Fanatismo por uma crença justificada – 2 Parte.

Posted in Filosofia on February 4, 2010 by Nelson Costa

Em si mesma, toda idéia é neutra ou deveria sê-lo; mas o homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está consumada… Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.

Idólatras por instinto, convertemos em incondicionados os objetos de nossos sonhos e de nossos interesses. A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável. Mesmo quando se afasta da religião o homem permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo. Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam. Não há intolerância, intransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o fundo bestial do entusiasmo. Que perca o homem sua faculdade de indiferença: torna-se um assassino virtual; que transforme sua idéia em deus: as conseqüências são incalculáveis. Só se mata em nome de um deus ou de seus sucedâneos: os excessos suscitados pela deusa Razão, pela idéia de nação, de classe ou de raça são parentes dos da Inquisição ou da Reforma. As épocas de fervor se distinguem pelas façanhas sanguinárias. Santa Teresa só podia ser contemporânea dos autos-de-fé e Lutero do massacre dos camponeses. Nas crises místicas, os gemidos das vítimas são paralelos aos gemidos do êxtase… patíbulos, calabouços e masmorras só prosperam à sombra de uma fé — dessa necessidade de crer que infestou o espírito para sempre. O diabo empalidece comparado a quem dispõe de urna verdade, de sua verdade. Somos injustos com os Neros ou com os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram apenas sonhadores degenerados que se divertiam com os massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem uma ortodoxia no plano religioso ou político, os que distinguem entre o fiel e o cismático.

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O que andas pensando ?

Posted in Vida & Realidade on February 2, 2010 by Nelson Costa

Provavelmente você conhece a dos dois monges, mas vou contar mesmo assim. Um dia eles estavam caminhando, quando chegaram a um riacho onde uma jovem estava à espera, com a esperança de que alguém a ajudasse a atravessar. Sem hesitar, um dos monges a levantou e carregou para o outro lado, pondo-a no chão em segurança.

Os dois monges continuaram caminhando e, depois de um tempo, o segundo, incapaz de se conter, disse ao primeiro: “Você sabe que não temos permissão para tocar em mulheres. Por que você carregou aquela mulher de um lado para o outro do rio?” O primeiro monge respondeu: “Ponha-a no chão. Eu já a pus no chão há duas horas.”

De: CAGE, John. A year from monday. New lectures and writings. Wesleyan University Press, 1969, p.133.

Teologia na Pós-modernidade – 1 Parte.

Posted in Teologia. on January 31, 2010 by Nelson Costa

Buscando por uma compreensão.

“Quem não é capaz de encarar o passado está condenado a repeti-lo eternamente”.

George Santayana.

Para denominar uma teologia moderna, é necessário situá-la em uma narrativa familiar ao Iluminismo, ou apontar certas semelhanças familiares com a crítica, a ciência ou entre os pensamentos dos exegetas, teólogos, e os seus homólogos seculares. Nenhum consenso existe, no entanto, com relação ao termo “pós-moderno”. Todavia, nos últimos vinte anos mais ou menos, a pós-modernidade tornou-se um conceito que é tão indispensável para compreender o pensamento ocidental contemporâneo, e cultural, como a modernidade foi para a compreensão dos últimos trezentos anos. Para alguns, a pós-modernidade marca o fim da teologia, para outros, é um novo começo. O que é inegável é que, um número de teólogos já aceitou esse adjetivo como uma qualificação exata da sua abordagem à teologia. Qualquer compreensão real da situação atual em teologia, portanto, deve vir a enfrentar as diversas formas em que esses teólogos compreendem adequadamente o termo “pós-moderno”.

Contudo, a pós-modernidade é um conceito essencialmente contestado uma vez que é indispensável – um sinal claro de sua importância para a sociedade acadêmica também. Nenhuma disciplina tem um monopólio sobre a sua definição, na verdade, o pós-modernismo transforma-se em contextos tão diversos como nos estudos da arte e da arquitetura, por um lado, e da filosofia e das culturas, por outro. Embora seus proponentes tipicamente resistem as “metanarrativas hegemônicas”, que pretendem oferecer teorias universais, que interpretam a realidade a partir do ponto de vista dos deuses, há no entanto algo ambicioso sobre o próprio conceito pós-moderno. O pós-modernismo é um sinal de insatisfação com pelo menos algum aspecto da modernidade. É a necessidade em abrigar um impulso revolucionário: o impulso de fazer as coisas de forma diferente.

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Prefiro transmitir graça em vez de explicá-la.

Posted in Teologia. on January 29, 2010 by Nelson Costa

Em vez de dominar a consciência, vieste aprofundá-la ainda mais; em vez de cercear a liberdade dos homens, vieste alargar-lhes ainda o horizonte…

Dostoievski.

Jesus ressuscitado está presente e atuante de modo especial naqueles que no vasto âmbito da história e da vida levam sua causa adiante. Jesus não é um ser errático dentro da história do mundo. Ele representa a máxima emergência dos dinamismos que Deus mesmo colocou dentro da criação e especialmente dentro do homem.

Sua salvação está sempre inserida onde quer que haja amor, solidariedade, união e crescimento verdadeiramente humanos. Sua crucificação e ressurreição deixam claro que Jesus veio para o que era seu – a humanidade – e a grande tentação dos fiéis hoje consiste em deixar realizar aquelas tristes palavras do Apóstolo João : e os seus não o receberam na forma como ele quis se apresentar, como homem, irmão e participante de nossa condição sofredora e frágil. Ainda mais, antes de João, sabendo de que o homem e seu sistema de segurança religiosa e social eram capazes, Platão num  texto célebre, disse : “O justo será flagelado, esfolado, amarrado e com fogo cegado. Quando tiver suportado todas as dores, será cravado na cruz” (República 2, 5. 361 E).

Logo, quem será salvo ?

Não disponibilizou Jesus o Reino de Deus aos pecadores públicos como os cobradores de impostos com quem comeu, às mulheres, às prostitutas, aos estrangeiros, aos comilões, às crianças e aos beberrões ?

Por que ainda precisamos de qualificações, fórmulas e denominações ?

Jesus não é nenhum concorrente do homem e sua salvação não e algo limitado e privatizado a um ortodoxia. Pelo contrário, a cruz é símbolo da reconciliação dos opostos: sinal do ódio humano e do amor de Deus. Por sua encarnação, o Filho de Deus uniu-se de algum modo a todo o homem.

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Não basta saber o que os outros souberam.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on January 26, 2010 by Nelson Costa

Fé em Cristo é um contínuo processo de inserimento daquilo que Ele significa, dentro da nossa compreensão da vida, do homem e do mundo. Até agora predominou na cristologia a perspectiva sacral; a maioria de seus títulos eram proclamados na esfera cúltica da liturgia. Outros porém possuem um caráter eminentemente secular, como aqueles das epístolas aos efésios e colossenses, onde Cristo é decantado como o cabeça do cosmos e da Igreja, como aquele elemento que confere a toda a realidade sua existência e consistência.

Tais títulos porém não foram adequadamente explorados na teologia e na vivência concreta da fé. Se repararmos as formulações litúrgicas, os manuais de cristologia e em geral os livros sobre Cristo – inclusive as Escrituras – percebemos com pesar o predomínio do pensar historicista e a falta de fantasia criadora da fé. Sabemos minuciosamente o que os outros souberam no passado, como tentaram integrar Cristo dentro de seu horizonte de compreensão, mas vemo-nos pessimamente informados de como devemos levar adiante esse mesmo processo e como o estamos em concreto fazendo.

Como chamamos nós a Cristo hoje ?

Que contribuição daremos nós, com a riqueza que nosso mundo oferece, na decifração de seu mistério ?

Que títulos vamos lhe conferir que signifiquem nosso amor e nossa adesão à sua pessoa e mensagem ?

Em que sentido nossa vida é o lugar hermenêutico na intelecção mais profunda dos títulos tradicionais ?

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Foi Jesus um “emergente”? 2-Parte.

Posted in Teologia. on January 24, 2010 by Nelson Costa

Jesus foi um emergente não por título ou denominação, mas pela emergência de sua natureza humana-divina, histórica, biológica, educacional e cultural. Por tudo aquilo que antecedeu e possibilitou sua livre  decisão de encarnação. Além do mais,  quanto mais se medita sobre Jesus mais se descobre o mistério que sua vida humilde escondia e mais se remonta para as origens.

Ao falarmos da emergência de Jesus, devemos antes esclarecer um equívoco. Emergente não é uma pessoa que diz pura e simplesmente coisa nova. Nem emergente é sinônimo de esquisito. Muito menos de auto-denominação. Emergente vem de origem. Quem está perto da origem e do originário e por sua vida, palavras e obras leva os outros à origem e ao originário deles mesmos. Nesse sentido, Cristo foi um emergente. Não porque descobre coisas novas. Mas porque diz as coisas com absoluta imediatez e soberania. Tudo o que diz e faz é diáfano, cristalino e evidente. Os homens percebem logo. É isso mesmo! Em contato com Jesus, cada um se encontra consigo mesmo e com aquilo que há de melhor nele – a pessoa emerge, cresce, cada qual é levado ao originário. O confronto com esse originário gera uma crise : urge decidir-se em emergir ou então instalar-se no derivado, secundário, na situação vigente.

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Meu eterno professor e amigo – Leonardo Boff.

Posted in Vida & Realidade on January 20, 2010 by Nelson Costa



Vale a pena assistir todo o vídeo.