Nelson Costa Jr» Blog Archive » Somos os malditos mancos do universo.

Percebo que possuímos três diferentes cenários espirituais hoje, não somente dentro das religiões mais também de acordo com a realidade: o céu, inferno e o prevalecer.

No primeiro cenário, o céu; todas as nossas maravilhosas tecnologias entram em conexão rapidamente, conquistamos a dor, o sofrimento, a estupidez, a ignorância e até mesmo a morte. Essencialmente este céu é distinto do divino céu. Pode acontecer. Vemos diariamente ele acontecendo nas capas dos jornais.

A segunda encenação é o inferno. Nesse cenário as tecnologias disponíveis ficam a merce dos loucos e tolos. Aqueles que acreditam nessa possibilidade acham que se essas tecnologias forem usadas para o mal, a humanidade desaparecerá em vinte anos. Da mesma forma que o céu, essa encenação é digna de crédito.

O problema com as encenações do céu e do inferno é que elas são um determinismo tecnológico, de acordo com Thorstein Veblen. Ou seja, ambas as perspectivas sustentam que a tecnologia conduz a história. Dizem que os seres humanos estão longitudinalmente prontos para esse passeio, e não há muito que nós podemos fazer sobre ele.

Sendo humanista, eu puxo para uma terceira encenação, que chamo de prevalecimento. Para clarificar essa minha encenação, deixo o seguinte exemplo : Imagine um gráfico com duas curvas nele. Uma curva representa os crescentes desafios da sociedade; e a outra representa as nossas respostas adaptáveis. Se a curva de respostas adaptáveis permanecer mais ou menos lisa, quando os nossos desafios se levantarem exponencialmente, obviamente teremos um problema, devido a folga da abertura que se mantem na obtenção mais larga. Podemos supor também que as nossas respostas estão igualmente indo acima num grampo similar. Issa seria a idéia central da encenação que arrisco chamar de “prevalecer”.

O que estou querendo dizer pode ser visto também desde as perspectivas da Idade Média. Olhando o futuro da raça humana daquele tempo, podemos pensar que nós iríamos acabar num poço sem saída; num problema sem resposta. Mas então de repente, em 1450, veio longitudinalmente a imprensa de impressão, e havia uma maneira nova de armazenagem, de partilha, de coleta, e de idéias de distribuição que eram previamente inimagináveis ; respondeu muitas perguntas. Isto conduziu ao renascimento e à iluminação, que deram o nascimento à ciência, a democracia e eventualmente ao mundo que nós temos hoje. O que é interessante é que toda esta mudança vivia além da imaginação de qualquer rei ou país daquela época. Era a ação coletiva dos milhões dos seres humanos que organizam-se numa maneira de baixo para cima. Do insignificante ao significante. Eles não esperaram os líderes dizerem o que fazer ou não, mas mudaram o seu mundo das melhores formas que poderiam.

Nós vemos esta cena do “prevalecer” outra vez nos ataques terroristas em 9/11, com a falha do quarto avião sequestrado pelos terroristas em atingir o seu alvo pretendido. Um tremendo grupo a bordo do avião, auxiliados pela tecnologia do celular, diagnosticaram e curaram o mal de sua sociedade em poucos momentos, sacrificando suas vidas em prol do sucesso de seu grupo étnico Muitos podem  perguntar : Foi uma boa resposta para a situação? Digo que não, porque todos morreram. Mas foi boa o bastante para impedir o alastramento do vírus da crueldade. Eram seres humanos ordinários que não esperaram pela solução de seus líderes, eram pessoas que entenderam um momento por elas mesmas, e decidiram arriscar por algo numa ocasião incerta e difícil, em prol do prevalecimento deles.

Por fim, abro meu coração é digo que estou cansado de ver julgamentos sem sentido, que levam a sociedade a não prevalecer. Seria bem melhor se essas encenações comprometedoras deixassem o palco livre para a encenação do “prevalecer humano”. A ideia de que nós seres humanos podemos actuar colectivamente para produzirmos mudança é surpreendente, e necessita ser compreendida, porque pode levar a sociedade a um novo momento, a um momento que nos pode dirigir para uma nova saída do novo túnel que entramos.