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O Cristianismo é autodinâmico.
Onde estou? Para onde devo me voltar?
Aqui havia turbilhão, agora uma montanha de detritos.
E, onde o campo era plano, o cascalho dificulta o meu caminho.
Subo e desço inutilmente;
onde vou me defrontar com minha esfinge ?
Mefisto.
A falta da dialética no Cristianismo hoje, opera como uma bomba de nêutrons espiritual que poupa os corpos enquanto mata as almas.
O monstro enigmático escondeu-se de nós; e hoje, ao vivermos em meio ao mistério vestido na forma de uma catástrofe repentina, completamente indecifrável, nem mesmo imaginada, à falta do mito ou, ao contrário, à sombra dos muitos mitos artificiais, é como se não houvesse nada com que devêssemos nos preocupar.
Carl Gustav Jung, o grande pensador, certa vez perguntou : Que espécie de mito vivemos nos dias de hoje? Ele prossegue assim: O mito cristão, diríamos. Em seguida, pergunta-se: Eu vivo de acordo com ele? E responde : Para ser sincero, não! Bem, então qual é o meu mito? Segue o interrogatório. O mito que eu vivo? Isso já está ficando desagradável, acrescenta, vou abandonar o raciocínio. Cheguei a um limite, escreve.
O que principia além desse limite? O nada? Um novo mito? Ou talvez : um novo mito cujo vínculo ao passado ficará claro tão logo ele se ligue, embora de modo enigmático, ao antigo, como eles costumam surgir e se ligar uns aos outros.
Jean Améry já dizia: Países, línguas, culturas – tudo vai ser uma coisa só. Talvez em seu tempo seu raciocínio era muito filosófico – não fazia sentido. Mas hoje graças à globalização sabemos que não – o que era discutido se tornou normal. Por isso digo que, necessitamos da dialética. Necessitamos dela porque no meio dessa nova fase humana, não podemos viver um Cristianismo estabelecido num lugar que um dia nos fez prisioneiros – Nos mistérios que um dia falaram diretamente com o nosso inconsciente em prol de nossa religiosidade.
Logo, a dialética necessita auxiliar a cristandade nos dias de hoje para que, as expressões, e as idéias a respeito de Deus, não fiquem à mercê das experiências psicológicas. De certa forma, não estamos psicologicamente desenvolvidos o suficiente para entender essa necessidade. Não estamos preparados para compreender essa verdade extraordinária que nos fala tremendamente através dos dogmas e mitos. Mas apesar disso, precisamos confrontar nossos sistemas simbólicos religiosos que protegem o nosso Ego. Mesmo se tal atitude nos causar uma grande ansiedade ou um novo tipo de caos.
Não cremos em Deus?
Não é a graça de Cristo que rege e determina alguma coisa?
Qual o problema de se buscar por uma religião que se diz não-teológica?
Enfim, acredito que, o antídoto disponível para o despertar do Cristianismo atual, já foi disponibilizado por Deus a muito tempo atrás, quando Ele permitiu que o homem questionasse o seu inconsciente. O único problema é que deixamos de utilizá-lo hoje. Por esse motivo que enfatizo a dialética.
- Quando o Cristianismo não faz sentido 1.
- Quando o Cristianismo não faz sentido 2.
- Quando o Cristianismo não faz sentido 3.





