Quando Nietzsche anuncia a morte de Deus, ele fala do Deus que tem que morrer mesmo, porque é o Deus das nossas cabeças, o Deus inventado, o Deus da metafísica, o Deus que não é vivo. Ele fez uma oração que traduzi, sem chegar a transmitir todo o seu teor poético. O titulo é: A Oração ao Deus Desconhecido.
Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.
Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: “Ao Deus desconhecido”.
Sei, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.
Sei, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a
minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te
conhecer, quero servir só a Ti.
(Friedrich Nietzsche)





