Nelson Costa Jr » Cultura

“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”.

Mário Quintana.

“Segundo a minha experiência – afirma Hermann Hesse, numa de sua cartas -  o elemento mais irritante e destruidor dos homens é aquele impulso baseado na preguiça de pensar e na necessidade de permanecer em paz, que leva para o coletivo, para a explicação racional, para a vulgaridade subordinada à dogmática rigorosa,  seja ela política ou religiosa”. O hábito precisa ser entendido, em seu mecanismo implacável, para que seja possível vislumbrar um pouco além do cotidiano. As exposições racionais e metódicas valem para uma infinidade  de circunstâncias e são de imensa importância na vida, mas nos casos em que o racionalismo e o  método transformaram-se em biombos, escondendo a realidade  em nome da busca dessa realidade, tudo  muda de figura. A técnica, a cultura, o  conhecimento acumulado são pouco ágeis e sutis para um empreendimento tão delicado quanto à abordagem do real, nesse “fio da navalha” que é o momento presente.

Não há retórica na conclusão de que essas descobertas só podem acontecer  agora -  não ontem, nem dentro em pouco. O fio do momento que passa (e que ainda não passou) existe entre duas vertentes e é o único pedaço do tempo que conhecemos de fato. O que as escolas e correntes dizem disso pode ser interessante, mas desvia atenção  do assunto e “verbaliza” ainda mais o  pensamento. Não há nada  que  a erudição  possa fazer para ajudar, no caso, mesmo porque ela costuma ser prolixa, principalmente quando usada como alavanca nos  truques de auto-afirmação. Essa é a carga  mais pesada porque exige resistência e leveza, que freqüentemente se excluem. É preciso resistir ao   peso  dos  hábitos mentais, do costume social,  dos modismos de todo tipo, sendo ao mesmo tempo flexível como um florete, e penetrante como ele.

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Kokoro.

postado em: Cultura, Vida & Realidade

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês:

Kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras.

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.

A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.

Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos-mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

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“Foi provavelmente na implantação e organização das missões que os jesuítas mais se destacaram. Estima-se que tenham chegado a reunir algumas centenas de milhares de índios nesses aldeamentos, onde os isolavam, catequizavam e faziam produzir. Por isso mesmo, foi também nas missões ou por causa delas que travaram as maiores disputas com os colonos e com o Estado. Na visão dos colonos, além de missionários, os jesuítas eram concorrentes diretos no aproveitamento da mão-de-obra indígena, o que justificava os ataques às missões para a captura de índios.” (TEIXEIRA, Francisco M. P. Brasil: História e SociedaSão Paulo, Ática, 2000)

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Acredito que a maioria dos brasileiros já ouviram e cantaram o hino nacional do Brasil. Possivelmente muitos cantaram, ou ainda cantam  por obrigação, enquanto outros, distintamente, seguem os que cantam corretamente com sussurros, porque não conhecem a letra. A verdade é que, cantamos hinos por necessidade moral, e as vezes por cidadania. Só que na maioria dessas vezes, exprimimos suas líricas sem se quer sabermos os “Por quês” por de trás das mesmas.

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas…Quantos brasileiros já visitaram as margens plácidas do Ipiranga em São Paulo?

De um povo heróico o brado retumbante,..Quantos brasileiros sabem  o que realmente aconteceu por de trás dos bastidores políticos da revolução brasílica?

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Qual liberdade o hino está se referindo?

E a curiosa inversão da constelação do cruzeiro do Sul na bandeira do Brasil, por que à colocamos na bandeira, e na letra do  hino nacional brasileiro?

E o mais importante: Fulguras, ó Brasil, florão da América, iluminado ao sol do Novo Mundo! Novo Mundo? Quem sabe sobre sua colonização ? Quantos brasileiros hoje conhecem sobre as ideologias, as filosofias, as religiões, e os métodos que o Velho Mundo ditou, e impregnou no Novo Mundo ?

Enfim, qual é a porcentagem de cristãos brasileiros hoje, que conhecem sobre as fundações, as doutrinas, e os dogmas que os primeiros cristãos do Velho Mundo anunciaram ao Brasil descoberto? Do que elas tratavam ? Será que elas ainda possuem força e influência no meio cristão – principalmente protestante -  brasileiro de hoje? Se sim, quais os seu benefícios e malefícios? Será que a Igreja realmente tem explicado  essas tradições  aos seus fiéis ?

Diante da reforma protestante, a Igreja Católica viu-se na necessidade de reagir. Logo então,  elaborou a Reforma Católica, ou Contra-reforma, que criou várias ordens religiosas, destacando-se a Companhia de Jesus, que batalhou contra os ideais protestantes  na colonização do Brasil. Dentro do seu ideal, a contra-reforma difundiu a ideologia católica romana, e monopolizou as instituições de ensino de diversas regiões.

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“O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma única verdade” (Emil Cioran)

Thomas Arnold viu muito longe quando disse que fanatismo é idolatria. Fabricamos as imagens que vamos adorar em seguida, e essas imagens podem ser concretas, abstratas ou especulativas. Cultuar alguma coisa feita por aquele que rende culto é idolatria – um círculo ilusório, que conduz sempre ao mesmo ponto. A intuição interior tende para a linha reta, sem as curvas que num tempo variável conduzem a si próprias, numa repetição eterna. Os fanáticos têm medo da incerteza, e por isso são determinados e rígidos.

Voltados numa só direção, transmitem a idéia de que sabem o caminho, o que não acontece. Na verdade estão andando em círculos.A necessidade de ser liderado é tanto mais visível quanto mais rude o meio em que se manifesta. É confortável obedecer, quando tudo parece incerto. Em toda parte há sempre gente querendo colocar suas energias a serviço de uma causa, de uma doutrina, alguma coisa que faça as escolhas, que forneça as palavras de ordem e aponte que direção tomar. No meio do rebanho, é só seguir, sem as dores da incerteza. Os que lideram trazem quase sempre uma doutrina pronta – porque os fundadores raramente lideram. Um conjunto de conceitos, conclusões, normas, tudo embrulhado em frases encorajadoras ou denunciadoras – eis a seita, o grupo organizado, a massa manobra. O oposto do fanático, na outra ponta do espectro, é muito menos popular.

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“Há um pensamento que bloqueia o pensamento. Esse é o único pensamento que deveria ser bloqueado” G.K

Os que “encontraram a resposta” acabam treinando um discurso bastante eficiente,  com toda a argumentação favorável de que dispõe o arsenal da racionalização. Ideólogos, teólogos, apologistas, gurus, apóstolos são identificados não pela proposta que fazem de discutir algum tema, mas pela água que procuram trazer ao seu moinho, à sua convicção previamente escolhida e protegida da lógica num nicho seguro de  argumentos  mais  verbais  que  racionais.  Ouvir seletivamente é uma escandalosa desonestidade, mas esse é um pecado que muitos perdoam com facilidade atualmente, porque quase todos o cometem. Entre as artes perditae de nosso tempo está seguramente a de escutar – muito mais do que ouvir, sem dúvida. Ela consiste apenas em não interferir, em permanecer tranqüilo e receptivo, o que é dificílimo.

A tranqüilidade interior é rara precisamente porque temos opinião formada sobre tudo, e não queremos mudá-la porque isso nos parece penoso. Percebemos seletivamente o que vem do mundo, dos outros, de nós mesmos. Filtramos a vida através de uma cortina de preconceitos, e julgamos que aprendemos cada vez mais, que acumulamos alguma coisa útil que um dia será usada para fins… práticos. Esse tipo de  fantasia parece universal, vitimando gente de todos os níveis intelectuais, em todos os quadrantes, com os mais diversos pretextos. Ao lado da conversa fútil, temos Igrejas , a TV, a leitura digestiva – essa série de ocupações aparentemente inofensiva que mantém nossa mente ocupada,  distante daquela”tranqüilidade vazia” em que estamos disponíveis para a percepção do que realmente interessa ao homem em sua, afinal de contas, limitada e perplexa vida. Nenhum argumento é tão freqüente, diante dessa ordem de especulações, quanto o que considera que nem tudo pode ser levado tão a sério, que a vida não deve ser encarada de forma tão dramática. A evasiva é resultado, ainda, da atenção seletiva, produto do hábito de ver as coisas pela metade, pela face amena e superficial.  A vontade é alimentada continuamente pelo fluxo de ruídos que nos chega a cada instante, entre os quais filtra sempre alguma informação verdadeira, que escutamos ou não, conforme nossos filtros e o que se acumulou de vontade em nós. Seria preciso empregar de maneira nova certas palavras para abordar esse novo (e ao mesmo tempo velhíssimo) problema. Assim, dizer que o mal é a intensificação do anseio – se é que isso consegue comunicar alguma coisa – fenômeno assegurado pelo barulho, pelo discurso superficial, pela tagarelice de aparência inocente.

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É necessário que tanto a semente como a palavra morra para que nos possam ser úteis. A força da  boa nova, como força de humanização, pressupõe,  para sua eficácia, a destruição das estruturas  que a contém. Odres velhos não resistem ao vinho  novo. A revolução, como renovação da vida humana,  implica na destruição das estruturas de injustiça e dominação, e a sua substituição por estruturas que atendam às necessidades e aspirações humanas, favorecendo a libertação do homem.

Richard H. Niebuhr.

O SÉCULO PASSADO assinala na história da humanidade  um período de transição de extraordinária importância. Duas guerras mundiais, revoluções sociais na América, Europa, Ásia e África – tirando a maioria da população dos países subdesenvolvidos da dominação do sistema colonial – o extraordinário desenvolvimento da técnica, o surgimento da energia atômica como arma política, são fatos cujo significado põe em xeque toda visão conservadora e tradicional no encaminhamento da solução dos problemas humanos. Vivemos um período revolucionário em todos os aspectos. Para os cristãos o Século XX marcou o fim da cristandade, o fim da chamada. “Era Constantiniana”, ou seja, o período histórico iniciado pela ascensão de Constantino no Império Romano, quando a Igreja gozou de uma posição especial dentro da sociedade em geral e em relação ao Estado em particular.

Do meio da crise da Igreja surge a nova realidade do movimento ecumênico e a irreprimível tendência à secularização, o que significa a libertação dos cristãos de suas amarras culturais-religiosas com o passado, amarras que impedem um testemunho relevante e significativo no mundo de hoje. Neste sentido, a grande contribuição da teologia ecumênica contemporânea consistiu em aprofundar a crítica à religião feita por Karl Marx no Século XIX. Sofrendo o impacto do trabalho revolucionário de Marx, Karl Barth, o conhecido e influente teólogo suíço, afirma que religião é mesmo a mais alta expressão do pecado humano. Paul Tillich, teólogo alemão refugiado de Hitler nos Estados Unidos, afirma que Jesus veio ao mundo para provar que a religião não compensa e que o Evangelho significa exatamente a libertação da canga da religião da lei e da lei da religião. Estas afirmações ilustram certamente a necessidade de ganharmos maior precisão nos termos que usamos correntemente nessa área.

É necessário distinguir religião, canga e instrumento de dominação, de Evangelho – mensagem de libertação dos cativos; distinguir entre fé, resposta positiva ao ato de  libertação, e cultura – meio através do qual ela se deve expressar. É necessário superar definitivamente conceitos absurdos como o de uma ‘fé religiosa’, pois fé e religião são inconciliáveis. Uma só pode subsistir com o sufocamento da outra. A fé é a semente fértil. A religião é a semente esterilizada que pode servir para comer ou para o comércio. A fé é o futuro. A religião é o apego ao passado, à segurança, ao status quo, muitas vezes feita em nome do futuro, e quase sempre feita em benefício dos comerciantes. A fé é o desapego dos que aguardam a madrugada e não perdem tempo olhando para trás. A fé é a loucura, a audácia. A religião é a prudência, o instinto de conservação. A grande traição da Igreja como instituição consiste  em que, ao invés de constituir-se portadora e testemunha  do Evangelho, ela se apresentou como “defensora” do Evangelho. Isto na prática se refletiu num esforço de  domesticar o Evangelho, a serviço de determinada cultura e dos seus interesses arraigados. Como resultado, ao invés de seguir o caminho da fé, a Igreja se colocou na defesa dos privilégios que lhe garantiam a segurança, na santificação do status quo, e a religião resultante dessa traição tornou-se a principal sustentação da ideologia das classes dominantes, da luta pela santificação dos objetos.

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“O costume de censurar é imaturo porque revela ignorância a respeito do patrimônio comum da humanidade, em termos de virtudes e defeitos, generosidade e mesquinharia.”

Como espectadores somos sempre, de algum modo, torcedores. Não ficamos indiferentes diante de um espetáculo que tem dois ou mais contendores. Por mil razões sutis de identificação, preferimos um dos lados, e tudo mais que vem a seguir decorre dessa escolha. Um lado é o “ nosso”, o  outro lado (ou os demais lados) é o “deles” .

Essa oposição é fatal, e com a repetição ganha muita força. O que é identificado em quase toda parte como fator de aproximação, simpatia, crença e confraternização, pode ser visto com suas cores verdadeiras, se olharmos atentamente.

Toda competição divide, separa , fraciona. Nem todos os discursos do mundo a favor da competição ideológica conseguem esconder esse seu aspecto muito característico.

Quando dois ou mais campos concorrem entre si em busca de um resultado que só pode beneficiar uma parte, haverá nisso sempre alguma forma de cisão.

Não apenas os defensores de uma determinada fé ou política estão divididos e separados uns dos outros, como também todos os que fizeram uma escolha de um dos lados, e torcem por ele, desenvolvem entre si essa divisão e esse afastamento. Grupos religiosos, políticos ou humanitários de todo gênero prolongam e ampliam o processo, uma vez que reforçam a separação e marcam mais nitidamente sua identidade. Cria-se o mito da superioridade em todas as facções, ou menos é acalentada a esperança de que um dia essa superioridade possa ser provada. Nada indica que de fato um lado seja melhor que o outro, ou que existe esse conjunto de qualidades que faz alguma coisa tornar-se superior à outra. Tudo se baseia na escolha inicial, que foi feita por razões vagas e desconhecidas de todos. No fundo há como que a crença de que poderes extraordinários estiveram em jogo  no momento da escolha, no instante em que o idealizador surgiu no espectador indiferente.

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Uma idéia pode transformar o mundo e reescrever todas as regras.

Na Grécia, havia um templo dedicado ao deus Hermes (Mercúrio, para os romanos) que funcionava como oráculo, mas era diferente do consagrado a Apolo, em Delfos. Lá, não tinha nenhuma pitonisa para interpretar a mensagem da divindade. Quando alguém queria fazer alguma consulta a Hermes, entrava no templo, entregava a sua oferenda e ia até a estátua do deus do comércio. Fazia uma pergunta baixinho, junto ao ouvido dele e, em seguida, tampava os ouvidos. Saía do templo, que ficava em uma rua muito movimentada, e, no meio da rua, destampava os ouvidos. A primeira coisa que ele ouvisse naquele burburinho era a resposta de Hermes à sua pergunta, porque “a voz do povo era a voz do deus”.

A maioria, em qualquer lugar, está apta a se chamar de ortodoxa, e a chamar seus oponentes de hereges. Mas a maioria em um lugar pode ser a minoria em outro. A maioria em Massachusetts é a minoria em Virgínia. A maioria na Inglaterra é a minoria em Roma ou em Constantinopla. O Arcebispo de Cantuária, o Primaz de toda a Inglaterra, deu ao senhor Curzon uma carta de apresentação ao Patriarca de Constantinopla, o líder da Igreja Grega. Mas o Patriarca nunca havia ouvido falar do Arcebispo de Cantuária, e perguntou: “Quem é ele?”

Todavia, é um argumento muito comum que tal e tal doutrina, sendo abraçada pela grande maioria dos cristãos, deve ser necessariamente verdadeira. “É possível”, dizem, “que a grande maioria dos cristãos estivessem agora, e por muito tempo, em erro em uma doutrina tão fundamental como esta?” Até mesmo um homem tão inteligente quanto o Dr. Huntington, parece ter sido grandemente influenciado por este argumento ao se tornar trinitarista.

O mesmo argumento tem levado muitos protestantes à Igreja Católica. E, sem dúvida, há uma verdade no argumento – uma verdade, de fato, que está implícita em toda a obra presente – que doutrinas assim defendidas por grandes multidões durante longos períodos não podem ser completamente falsas. Mas isso não prova, de forma alguma, que sejam plenamente verdadeiras. De outra maneira, a verdade mudaria com a mudança da maioria. Em um século os arianos teriam estado certos. Ademais, a maioria dos que aderem a uma doutrina não a examinaram, e não têm nenhuma opinião definida concernente a ela. Eles a aceitam, como lhes é ensinada, sem refletir. E novamente, a maioria das verdades estão, no princípio, na minoria.

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Enquanto alguém estiver no inferno do desejo egoísta, nenhuma gota consolada de conteúdo celestial pode vir a ele.

O empenho em declarar com todo o vigor a “mensagem evangélica” de uma suposta salvação após a morte – o que não deixa de ser admirável – parece cegar-nos para a salvação, para as perguntas e respostas que os humanos necessitam agora mesmo.

Infelizmente -- como sempre -- a igreja sacraliza o passado, profana o presente, e perde as novas possibilidades de construir um futuro melhor. Enfim, pense duas vezes antes de absorver o tempo presente acriticamente.