Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e isto é tudo
É sobretudo a lei
Da infinita highway
Talvez alguém algum dia chamou Humberto Gessinger de louco por ter escrito a letra da música Infinita Highway (Engenheiros do Hawaii). Como pode alguém falar sobre vida sem dar direção ? Mas se profecia existe e profeta também, talvez o louco se transformou em profeta, e a profecia em realidade. Humberto Gessinger nessa música deixa claro um futuro muito presente.
O homem hoje se encontra desbussolado porque está sem rumo. Sem norte. Perdeu a razão.Critíca as coisas de Deus e o abraça ao mesmo tempo. Fala da vida mas não tem exemplo. A passagem do mundo industrial, ou modernidade, para a globalização, ou pós-modernidade, é a maior responsável por essa desorientação. Até então, as identidades eram organizadas verticalmente: a família, a empresa e a política eram ‘pai-orientadas’, ou seja, tendiam a um ponto superior ideal. Um dia ser como o pai, chegar à diretoria, representar o país. Na globalização, o laço social se horizontaliza, os ideais se pulverizam. Se antes o problema era “como vou chegar lá”, hoje passou a ser “aonde devo ir”.
Quando eu vivia e morria na cidade
Eu não tinha nada, nada a temer
Mas eu tinha medo, medo dessa estrada
Olhe só, veja você!
O homem já não é o sustento nem o modelo. Não é mais o parâmetro da sociedade nem da família. A produtividade não é mais o limite e o homem não consegue mais viver de aparências. Assim, ele entra em desespero. A casa e o emprego perderam as fronteiras. Portanto, eu digo que a globalização é era da mulher, porque elas conseguem se adaptar melhor a esse mundo fragmentado, com tantas mudanças e cheio de opções.
Hoje vivemos na era da divisão, da infinita highway e do contato social amplo. Cada vez mais será necessário o contato com a outra pessoa ; até para conhecer mais de si mesmo.Sem isso, seremos inacessíveis para nós mesmos.
Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute, garota, façamos um trato:
Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato
Eu posso ser um Beatle, um beatnik
Ou um bitolado
Mas eu não sou ator
Eu não to à toa do teu lado
Por isso, garota, façamos um pacto
De não usar a highway pra causar impacto
Assim, depois da maturidade, só resta cair no chão. Com o passar do tempo, o homem perde a capacidade de surpreender-se. A pessoa madura recusa o novo. Costuma dizer “já li”, “já fiz”, “conheço”, “isso não é assim”, etc. É um porre a pessoa que perde o frescor do novo. Talvez, a receita é ser capaz de se surpreender com as coisas novas que a vida traz. O homem contemporâneo tem de estar pronto para todas as circunstâncias.
Cento e dez, cento e vinte
Cento e sessenta
Só prá ver até quando o motor agüenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra do sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway