Nelson Costa Jr » Cultura

Por Slavoj Zizek:

Tolerância Religiosa “Politicamente Correta” Oferece Certezas que não Demandam Comprometimento.

À primeira vista parecem impecáveis as credenciais dos que, antes mesmo do lançamento do filme, puseram-se a criticar a versão cinematográfica de Mel Gibson sobre as últimas 12 horas da vida de Cristo. Considerando-se o fanatismo desse católico tradicionalista, capaz de eventuais rompantes anti-semitas, não seria plenamente justificável a preocupação de que seu filme venha a incitar sentimentos anti-semitas? E, em termos mais gerais, não seria “A Paixão de Cristo” uma espécie de manifesto dos nossos próprios (ocidentais, cristãos) fundamentalistas e anti-secularistas? Portanto, que alternativa restaria aos secularistas ocidentais senão rejeitá-lo? Se retendemos deixar claro que não somos racistas dissimulados, para os quais apenas o fundamentalismo dos outros (muçulmanos) deve ser condenado, não seria um “sine qua non” reprovar o filme de forma categórica? É bem conhecido o modo ambíguo como o papa reagiu ao filme. Logo após assisti-lo, profundamente comovido, ele murmurou: “É como foi!”, mas os porta-vozes oficiais do Vaticano trataram de negar a declaração. A fim de não ferir suscetibilidades, esse vislumbre da reação espontânea do papa foi rapidamente corrigido e substituído por uma posição “oficial” neutra. Tal atitude serve como uma luva para exemplificar o que há de errado com a tolerância liberal, o equívoco inscrito no receio politicamente correto de ofender sensibilidades religiosas alheias. Ainda que na Bíblia se afirme que a turba judia exigiu a morte de Cristo, a cena não deve ser representada de forma explícita. Ao contrário, é preciso reduzir seu impacto e contextualizá-la, de maneira a deixar claro que os judeus não são coletivamente culpados pela crucificação… A questão é que isso se presta apenas a reprimir a agressividade da paixão religiosa; a qual permanence ardendo sob a superfície e, não tendo como ser extravasada, vai se tornando mais e mais intensa. Em novembro de 2002, o presidente dos EUA, George W. Bush, foi censurado por membros da direita de seu próprio partido por ter adotado, no entender deles, um posicionamento brando demais em relação ao islamismo: acusaram-no de repetir o mantra segundo o qual o terrorismo nada tem a ver com o islã, essa formidável e tolerante religião. Como esclareceu uma coluna publicada no “Wall Street Journal”, o verdadeiro inimigo dos EUA não é o terrorismo, e sim o islamismo militante. Por conseguinte, é preciso reunir coragem e proclamar o fato politicamente incorreto (mas não obstante óbvio) de que o islã possui um profundo traço de violência e intolerância ou, para falar sem meias palavras, de que há algo nessa religião que resiste à ordem mundial liberal-capitalista.

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“A religião só poderá falar ao povo de nossa época se conseguir dizer uma palavra transcendente e, portanto, julgadora e transformadora. De outra forma, não será mais do que mera colaboradora do que se aceita comumente, serva da opinião pública, exercendo posições de tirania tão terríveis como as de qualquer outro tirano. Mas se nossa religião puder transcender tudo isto, em que direção deverá se mover?”

Paul Tillich

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Legenda em português disponível nos subtitles.

O Mundo de Huxley.

postado em: Cultura

- Então o senhor acha que não existe um Deus?

- Ao contrário, penso que muito provavelmente existe.

- Então, por que…?

Mustafá Mond atalhou-o.

- Mas ele manifesta-se de maneira diferente a homens diferentes. Nos tempos pré-modernos, manifestava-se como o ser descrito nesses livros. Agora…

- Como se manifesta ele agora? – perguntou o Selvagem.

- Bem, ele se manifesta como ausência; como se em absoluto não existisse.

- A culpa é sua.

- Diga, antes, que é culpa da civilização. Deus não é compatível com as máquinas, a medicina científica e a felicidade universal. É preciso escolher. Nossa civilização escolheu as máquinas, a medicina e a felicidade. Eis por que eu guardei esses livros no cofre. Eles são indecentes. As pessoas ficariam escandalizadas se…

O Selvagem interrompeu-o.

- Mas não é uma coisa natural sentir que há um Deus?

- O senhor poderia igualmente perguntar se é natural fechar as calças com zíper – retrucou o Administrador, sarcasticamente. – Fez-me lembrar outro desses antigos, chamado Bradley. Ele definia a filosofia como a arte de encontrar más razões para aquilo em que se acredita por instinto. Como se nós acreditássemos em alguma coisa, seja o que for, por instinto! Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas. A arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê por outras más razões, isto é filosofia. As pessoas crêem em Deus porque foram condicionadas para crer em Deus.

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Não posso negar minha paixão pelas artes.  Por meio de uma animação na areia , Kseniya Simonova renova essa minha parcialidade, misturando história, cultura , guerra  e relatos com  grânulos minerais.

Não poderia deixar de blogar esse vídeo, após tê-lo visto no blog do Peter Rollins.

Que maravilha !

Percebo que possuímos três diferentes cenários espirituais hoje, não somente dentro das religiões mais também de acordo com a realidade: o céu, inferno e o prevalecer.

No primeiro cenário, o céu; todas as nossas maravilhosas tecnologias entram em conexão rapidamente, conquistamos a dor, o sofrimento, a estupidez, a ignorância e até mesmo a morte. Essencialmente este céu é distinto do divino céu. Pode acontecer. Vemos diariamente ele acontecendo nas capas dos jornais.

A segunda encenação é o inferno. Nesse cenário as tecnologias disponíveis ficam a merce dos loucos e tolos. Aqueles que acreditam nessa possibilidade acham que se essas tecnologias forem usadas para o mal, a humanidade desaparecerá em vinte anos. Da mesma forma que o céu, essa encenação é digna de crédito.

O problema com as encenações do céu e do inferno é que elas são um determinismo tecnológico, de acordo com Thorstein Veblen. Ou seja, ambas as perspectivas sustentam que a tecnologia conduz a história. Dizem que os seres humanos estão longitudinalmente prontos para esse passeio, e não há muito que nós podemos fazer sobre ele.

Sendo humanista, eu puxo para uma terceira encenação, que chamo de prevalecimento. Para clarificar essa minha encenação, deixo o seguinte exemplo : Imagine um gráfico com duas curvas nele. Uma curva representa os crescentes desafios da sociedade; e a outra representa as nossas respostas adaptáveis. Se a curva de respostas adaptáveis permanecer mais ou menos lisa, quando os nossos desafios se levantarem exponencialmente, obviamente teremos um problema, devido a folga da abertura que se mantem na obtenção mais larga. Podemos supor também que as nossas respostas estão igualmente indo acima num grampo similar. Issa seria a idéia central da encenação que arrisco chamar de “prevalecer”.

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Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e isto é tudo
É sobretudo a lei
Da infinita highway

Talvez alguém algum dia chamou Humberto Gessinger de louco por ter escrito a letra da música  Infinita Highway (Engenheiros do Hawaii). Como pode alguém falar sobre vida sem dar direção ? Mas se profecia existe e profeta também, talvez o louco se transformou em  profeta, e a profecia em realidade. Humberto Gessinger nessa música deixa claro um futuro muito presente.

O homem hoje se encontra desbussolado porque está sem rumo. Sem norte. Perdeu a razão.Critíca as coisas de Deus e o abraça ao mesmo tempo. Fala da vida mas não tem exemplo. A passagem do mundo industrial, ou modernidade, para a globalização, ou pós-modernidade, é a maior responsável por essa desorientação. Até então, as identidades eram organizadas verticalmente: a família, a empresa e a política eram ‘pai-orientadas’, ou seja, tendiam a um ponto superior ideal. Um dia ser como o pai, chegar à diretoria, representar o país. Na globalização, o laço social se horizontaliza, os ideais se pulverizam. Se antes o problema era “como vou chegar lá”, hoje passou a ser “aonde devo ir”.

Quando eu vivia e morria na cidade
Eu não tinha nada, nada a temer
Mas eu tinha medo, medo dessa estrada
Olhe só, veja você!

O homem já não é o sustento nem o modelo. Não é mais o parâmetro da sociedade nem da família. A produtividade não é mais o limite e o homem não consegue mais viver de aparências. Assim, ele entra em desespero. A casa e o emprego perderam as fronteiras. Portanto, eu digo que a globalização é era da mulher, porque elas conseguem se adaptar melhor a esse mundo fragmentado, com tantas mudanças e cheio de opções.

Hoje vivemos na era da divisão, da infinita highway e do contato social amplo. Cada vez mais será necessário o contato com a outra pessoa ; até para conhecer mais de si mesmo.Sem isso, seremos inacessíveis para nós mesmos.

Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute, garota, façamos um trato:
Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato
Eu posso ser um Beatle, um beatnik
Ou um bitolado
Mas eu não sou ator
Eu não to à toa do teu lado
Por isso, garota, façamos um pacto
De não usar a highway pra causar impacto

Assim, depois da maturidade, só resta cair no chão. Com o passar do tempo, o homem perde a capacidade de surpreender-se. A pessoa madura recusa o novo. Costuma dizer “já li”, “já fiz”, “conheço”, “isso não é assim”, etc. É um porre a pessoa que perde o frescor do novo. Talvez, a receita é ser capaz de se surpreender com as coisas novas que a vida traz. O homem contemporâneo tem de estar pronto para todas as circunstâncias.

Cento e dez, cento e vinte
Cento e sessenta
Só prá ver até quando o motor agüenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra do sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway

Um presente aos amigos do blog.

Divinos e exclusivos momentos que presenciei no último dia da turnê 360° do U2 do ano de 2009 -- Foi uma grande experiência.

U2 360° Tour.

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Já na expectativa de presenciar o show do ano, U2 360° tour promete muito!