O Absoluto manifesta-se no relativo.postado em: Filosofia, Teologia
Por apofatismo da essência entende-se a capacidade noética individual como veículo para chegar ao conhecimento dos existentes. Assim, eu conheço os existentes enquanto entidades concretas, determinadas pelo lógos da sua ousía, isto é, tais como eu os concebo racionalmente. Quando se trata de uma ousía incriada, transcendental e sobrenatural, admito compreender a existência de uma tal ousía, mas não conheço a sua realidade. Partindo de Dionísio, o pensamento filosófico-teológico ocidental estabeleceu três vias de possibilidade analógica do conhecimento de Deus: a via affirmationis, a via negationis e a via eminentiae.
O apofatismo da pessoa, ao contrário, parte da constatação de que “minha existência” e “meu conhecimento” são fatos consequentes às “relações pessoais”. Enquanto tal, a relação não se esgota com uma fórmula noética, mas pressupõe um envolvimento existencial total, do qual participam as mais diversas capacidades humanas, não somente intelectivas. O primeiro impacto dessa relação é a individuação do modo de existência do “outro”. Disto deriva que a definição racional da ousía do outro é consequente e não antecedente à individuação da diversidade do existente “outro”, por mim conhecida através da relação. Nenhuma definição noética ou linguística pode esgotar a imediaticidade e totalidade da relação pessoal imediata.
Em consequência, se Deus é existente, Ele é por mim conhecido como hipóstase na imediaticidade da relação, e não como ousía através da sua definição racional. Ora, visto que nenhum discurso pode esgotar o conhecimento imediato pessoal consequente à relação entre mim e Deus, esta relação pessoal é impossível de ser expressa ou definida. A fé, que é a primeira experiência pessoal da relação entre mim e Deus, ao instaurar-se por vontade e iniciativa de Deus e com o consenso do homem, permanece incomunicável no sentido mais estrito do termo, pois não pode esgotar-se através de discurso algum.






