Meu dia com Clive Bell.postado em: Filosofia
“Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor .” 2 Coríntios 3.17,18.
Ver o “outro lado” das questões é qualquer coisa como escrever na superfície da água. Temos uma visão completa do problema, e logo ela já não pode ser usada pela memória para algum fim prático. Apesar disso, podemos cultivar essa virtude, único modo de ter acesso ao amor num meio que nos empurra para longe dele todo o tempo, pelos motivos que todos sabem e pelos outros, que raramente percebemos. Os espíritos emparedados na certeza racionalista pensam que o conhecimento é um fechamento sucessivo de questões, um encerramento de inquéritos sobre a vida, uma seqüência de portas que se cerram para sempre.
Clive Bell fala, como outros também falaram, do contrário, de um conhecimento que não encerra o assunto, exatamente porque formar um juízo rígido é uma forma de ignorar o movimento permanente de todas as coisas, passando de um instante a outro e sofrendo modificações infinitas. Essas idéias assustam a maioria das pessoas, que vêem nisso “um relativismo sem convicções”. Essa é talvez a aparência.
A colocação de todos esses termos numa ordem simétrica, procurando para eles um sentido claríssimo (leia-se familiar), desencadeia o caos ou fabrica uma espécie de rotina mental, que compreendemos, mas não entendemos. Ter certeza é necessário, as mais das vezes. Formar cadeias de certezas que acabam prevendo as situações e enquadrando a realidade é organizar uma grande mentira. Um computador é capaz de montar uma realidade “paralela”, lógica e real, mas na verdade absurda e fantasiosa. O conhecimento acumulativo - necessário em determinadas circunstâncias – pode ser reproduzido por máquinas feitas pelo homem, e se parece muito com certas habilidades humanas. O que a memória e seus circuitos (humanos ou cibernéticos) não pode fazer é a percepção do “outro lado”, da alma das coisas, da empatia, do todo referente a certo assunto, sem o parti pris e a descriminação da consciência.







