Archive for the Nelson Costa Category

A Igreja é “Emergente” porque não é uma pedra!

Posted in Nelson Costa, Teologia. on March 16, 2010 by Nelson Costa

Pedras estão fora do tempo.  O tempo lhes é uma realidade exterior: o vento que sopra, a água que corre… São imutáveis, sempre as mesmas,  porque estão mortas. Para a pedra tudo é igual. Indiferentes ao  mundo que as cerca. São sempre as mesmas. Porque estão mortas. As plantas estão vivas.  Porque estão vivas, as plantas estão sempre se transformando numa outra coisa, diferente do que são. A vida não suporta a mesmice. Nascer, crescer, envelhecer, reproduzir.  Nenhuma planta é igual a si mesma num momento subsequente de tempo. As pedras nem nascem, nem crescem, nem envelhecem, nem se reproduzem. São eternas. São sempre as mesmas. Mortas.

Rubem Alves.

Os grandes conflitos da vida podem pôr em risco a experiência de Deus, porque a experiência de Deus é uma caminhada nunca assegurada. Toda tradição fala dos três caminhos. O primeiro é positivo, vai pela luz, pela bondade. O segundo, negativo, é a negação dos sentidos e da mente. No fim, a transfiguração, a exaltação, onde se capta Deus para além dessas contradições.

No processo de experiência de Deus, colocam-se em crise as imagens de Deus. Há muitas pessoas com uma experiência trágica na vida, de morte, assassinato, violência. Como Deus pode ser Pai se permite isso?, perguntam-se, e entram em crise. Na verdade, o que entra em crise é a nossa projeção de Deus como Pai, o nosso conceito de Deus como Pai.

O grande grito de Cristo na cruz: “Pai, Pai, por que me abandonaste?” destruiu a imagem de Deus como Pai de infinita bondade, que iria intervir, salvar o Messias em risco no momento em que o Reino seria instaurado…Deu-se conta, então, de que o Reino não vinha assim, como se imaginava empiricamente.

Jesus continua a crer. Grita contra Deus: “ Por que me abandonaste ?” mas continua a chamá-lo Pai. Só que agora o Pai é o outro Pai. Deus-Pai é luz e bondade. Só que outra luz e bondade. A crise vai destruindo imagens de Deus e reconstruindo outras.

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Certos espíritos ateístas estão profundamente enraizados em Cristo.

Posted in Filosofia, Nelson Costa on March 9, 2010 by Nelson Costa

Quando Nietzsche anuncia a morte de Deus, ele fala do Deus que tem que morrer mesmo, porque é o Deus das nossas cabeças, o Deus inventado, o Deus da metafísica, o Deus que não é vivo. Ele fez uma oração que traduzi, sem chegar a transmitir todo o seu teor poético. O titulo é:  A Oração ao Deus Desconhecido.

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: “Ao Deus desconhecido”.

Sei, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Sei, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.

Eu quero Te conhecer, desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a

minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te

conhecer, quero servir só a Ti.

(Friedrich Nietzsche)

Uma ortodoxia herética – Como falar de algo que não pode ser dito?

Posted in Nelson Costa on March 8, 2010 by Nelson Costa

Peter Rollins & Nelson Costa.

Peter Rollins levanta, com suas parábolas, o véu que cobre a essência da teologia cristã mundial dessa nova era. Num clima descontraído, e iluminado por um lindo dia, tive a oportunidade de me encontrar com Peter, e aprender um pouco mais  sobre essa sua tremenda capacidade.

Escritos religiosos geralmente são concebidos para tornar a verdade da fé clara, concisa e saborosa. Parábolas subvertem essa abordagem – disse Peter. Na parábola, a verdade não é expressada através de um discurso teológico empoeirado, que visa nos educar, mas surge como um discurso lírico, que nos inspira e transforma – complementei.

À luz disto, conversamos sobre as novas fronteiras que o Cristianismo necessita ultrapassar, falamos sobre a necessidade de transformação e não somente de readaptação que a Igreja precisa enfrentar, e sobre a ferramenta utilizada por Deus conhecida como “mistério”, que precisamos abraçar.

Brevemente, Peter lançará seu novo livro, que certamente esquentará mais as fogueiras da nova inquisição cristã. Mas enquanto isso não acontece, ele autografou o seu último livro “Uma ortodoxia herética”, para ser doado aos leitores do meu blog – sorteio via twitter, me adicione e participe!

Enfim, o papo foi muito bom, e brevemente estaremos juntos novamente – pelo menos por necessidade. Com o “The The Insurrection Tour” batendo às portas, o “Vox Emergente no Brasil” quase acontecendo, e o “TRANSform Conference” se aproximando, em breve terei mais notícias para dar a todos, pois a essa altura o efeito da cafeína já passou há tempo e amanhã tem mais um dia inteiro de bate-papo na Igreja que trabalho! Paz e Espírito de Criatividade!

Teologia na Pós-modernidade – 2 Parte.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on February 23, 2010 by Nelson Costa

Coragem de ser.

Um outro mundo é possível agora,  e está disponível para todos os que crêem.

Brian Mclaren.

A pós-modernidade, o niilismo, a vida sem sentido, o “tempo do desespero”, a morte de Deus, o perecimento das Igrejas, o fim das ideologias; tudo isto permeia e ameaça o ser humano (e a religião atual). “A terra tinha sido expulsa do centro do mundo”: com Copérnico, o homem deixou de estar no centro do Universo; com Darwin, o homem deixou de ser o centro do reino animal; com Marx, o homem deixou de ser o centro da história e, com Freud, o homem deixou de ser o centro de si mesmo, notou Eduardo Prado Coelho. André Comte-Sponville inicia seu livro O tratado do desespero e da beatitude com estas temáticas da situação humana atual. “O homem do século XX perdeu um mundo significante e um eu”, nota Paul Tillich, que não viveu a pós-modernidade, mas de uma certa forma a previu pela “perda de Deus do século XIX”, com Feuerbach e Nietzsche, e, sobretudo, pelo existencialismo (que é o problema e a resposta atual). O ser humano na pós-modernidade perdeu seu mundo (desespero), suas referências de ser (insignificante) e todas as “garantias” dos esquemas explicativos (como a ciência e a religião). Só lhe restam a ansiedade, o insignificante, o medo e o desespero diante das
coisas da vida, como nota André Comte-Sponville. Este é o cenário para reflexão da pós-modernidade. “A ansiedade que determina nosso período”, diz Paul Tillich, “é a ansiedade da dúvida e do sem valor”: perdeu-se a significação da própria existência. Na perda do significado da existência, o ser humano, frente ao seu vazio interior, busca sentido para a vida.

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O Cristianismo Teo-capitalista.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on February 16, 2010 by Nelson Costa

“O povo foi seduzido por um tipo de progresso imoderado, por uma patologia ideológica, como alguns antropólogos chamam”.

Thomas Beaudoin.

Um cristianismo teo-capitalista muitas vezes funciona como uma máfia, que promete segurança e proteção a partir de uma taxa. Mas se você não pagar essa taxa, a máfia diz que, o “Poderoso chefão” irá destruí-lo.

Em vez de um “esquema de proteção”, esse cristianismo se torna um “esquema de perdão”, que gera uma criação de culpa e ansiedade. Um esquema de perdão e conforto que no final cria mais culpa e ansiedade, para você precisar de mais perdão e conforto amanhã ; assim por diante. Ou seja, esse sistema funciona da seguinte forma: ele promete a satisfação e a felicidade através da posse e consumo, mas procura sempre inflar o seu desejo de felicidade, assim você terá sempre a necessidade de possuir e consumir mais, sempre terá uma enorme insatisfação.

Esse sistema, faz você sonhar com uma realidade sem sentido, fundamentada nas Escrituras Sagradas. Você associa tais “realidades” com os dizeres “santos”, e leva seus anseios e desejos aos líderes dessa máfia, que pregam um deus mafioso que, atende a todo consumismo humano de quem  se submete a ele;  aonde no final lhe consomem. Em outras palavras, você fica totalmente doutrinado pela estrutura imperialista da narrativa capitalista santa – Cristianismo teo-capitalista.

Sem entrar no mérito da questão política – que não é o mesmo caso neste contexto – Jesus simplesmente nega esse dualismo cristão-capital, muito feudal, quando ministra o Sermão da Montanha por exemplo, descrito em Mateus 5,1-7:

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Espiritualidade farisaica.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on February 12, 2010 by Nelson Costa

“O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros. Quem se julga o senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto eles”.

Jean-Jacques Rousseau

Como estamos impregnados dessa espiritualidade farisaica ! Quando estamos bem, nos aproximamos de Deus. Quando mal, cheios de contradições e infidelidades, não nos achamos dignos de nos aproximar dele. Numa narrativa zen-budista, um monge pede ao mestre para sair do mosteiro, que era em plena cidade, para ir à montanha encontrar Deus. O mestre lhe concede três anos, ao término dos quais vai visitá-lo. Pergunta-lhe se já havia encontrado Deus, ao que ele responde: “Olha, acho que estou chegando lá, mas não cheguei, me dê mais um prazo”. O mestre concorda: “Você tem mais três anos”. Três anos depois, o mestre volta. “E então?” O monge disse: “Estou quase. Já toquei na porta dele, só falta abrir. Preciso de um último prazo”. O mestre vai embora e, ao voltar, três anos depois, o monge lhe confessa que Deus até abrira a porta, mas não Se mostrara ainda. O mestre indaga: “Está convencido de que, atrás da porta, vai encontrar Deus?” Ele responde: “ Olhe, depois de nove anos, para falar a verdade, não estou convencido”. E pergunta ao mestre: “Onde está Deus ?” Ele aponta para a cidade: “Lá embaixo, na merda.”

Está parábola zen-budista é justamente para mostrar a espiritualidade de Jesus. Ela é o inverso da espiritualidade dos fariseus. No primeiro modelo de espiritualidade, o do fariseu, o centro da santidade está na minha capacidade de ser virtuoso. No modelo de Jesus, quanto mais na merda estou, mais Deus me ama e mais devo me abrir para Ele. Ou seja, não há montanha a subir, não há virtude a servir de critério para o encontro com Deus. Há apenas uma coisa: Deus nos ama irremediavelmente, apaixonadamente. E quanto pior estivermos, mais nos devemos abrir a esse amor de Mãe –  Jesus vive, a experiência de Deus, que acolhe, tem misericórdia, é  Pai e Mãe – Porque a mãe se preocupa mais com filho doente, fraco, que está metido em uma porção de rolos. É com esse que ela mais sofre, é a esse que ela mais quer. É preciso deixar-se acolher, na linha do acolhimento que Jesus faz à prostituta, ao ladrão, ao sujeito que está condenado pelos fariseus, enfim, à escória. Os convidados ao banquete, na parábola, são a escória. São os privilegiados no festim do Pai.

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Promoção “The Great Emergence” – Nelson Costa & Phyllis Tickle.

Posted in Nelson Costa on February 7, 2010 by Nelson Costa

Phyllis Tickle e Nelson Costa com o material que será sorteado.


- Seria a “emergência da Igreja”  uma ameaça à “Igreja” ?

- Quais as razões dessa emergência espiritual hoje ?

- Qual é a força que sustenta essa emergência ?

De acordo com Phyllis Tickle, a “emergência” nunca ameaçou a Igreja, mas sim, a Instituição. Que as razões dessa emergência se dão devido a crise da racionalidade moderna, ou seja, da nossa maneira de entender o mundo, muito tributária da filosofia de Descartes e da física de Newton. E que a força por de trás dessa emergência , é muito mais profunda do que imaginamos.

Em seu livro “ The Great Emergence”Que sortearei aqui no blogue ,autografado por Phyllis Tickle – Tickle cuidadosamente articula sobre as mudanças históricas, e os pontos de ruptura que conduzem a Igreja para essa “emergência”. Ela responde a três perguntas: O que é, como veio a ser, e aonde vai terminar ? Sobre a  questão da definição de todas as reformas ela pergunta : Onde está a nossa autoridade?

O livro tem um aspecto importante nos eventos que antecederam a Sola Scriptura. O valor deste livro não pode ser subestimado. Ele nos ajuda a compreender não apenas o que está acontecendo dentro da nossa  história , mas também o que está acontecendo com o sistema sócio-religioso.

O que a Igreja está vivenciando hoje ? Por que nenhuma experiência parece suficiente para responder às ansiedades suscitadas por sua crise espiritual moderna ? Se tudo é utopia , e não podemos fazer nada, qual será o futuro da Igreja ? Quem se colocará em sua brecha ? Então?… Qual o caminho que devemos seguir?…

Enfim, se você deseja participar do sorteio  desse excelente material importado de Phyllis Tickle – autografado por ela – basta  adicionar-me  (@nelsoncost) em seu  twitter, e deixar seu comentário nesse tópico, juntamente com seu nome e e-mail. A promoção encerrará em 27/02/2010; juntamente com a promoção de estréia do blogue do meu amigo Thiago Mendanha.

Observação : O livro que será sorteado  está em inglês.

Em breve, sorteio do material autografado do meu amigo Peter Rollins!

Não basta saber o que os outros souberam.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on January 26, 2010 by Nelson Costa

Fé em Cristo é um contínuo processo de inserimento daquilo que Ele significa, dentro da nossa compreensão da vida, do homem e do mundo. Até agora predominou na cristologia a perspectiva sacral; a maioria de seus títulos eram proclamados na esfera cúltica da liturgia. Outros porém possuem um caráter eminentemente secular, como aqueles das epístolas aos efésios e colossenses, onde Cristo é decantado como o cabeça do cosmos e da Igreja, como aquele elemento que confere a toda a realidade sua existência e consistência.

Tais títulos porém não foram adequadamente explorados na teologia e na vivência concreta da fé. Se repararmos as formulações litúrgicas, os manuais de cristologia e em geral os livros sobre Cristo – inclusive as Escrituras – percebemos com pesar o predomínio do pensar historicista e a falta de fantasia criadora da fé. Sabemos minuciosamente o que os outros souberam no passado, como tentaram integrar Cristo dentro de seu horizonte de compreensão, mas vemo-nos pessimamente informados de como devemos levar adiante esse mesmo processo e como o estamos em concreto fazendo.

Como chamamos nós a Cristo hoje ?

Que contribuição daremos nós, com a riqueza que nosso mundo oferece, na decifração de seu mistério ?

Que títulos vamos lhe conferir que signifiquem nosso amor e nossa adesão à sua pessoa e mensagem ?

Em que sentido nossa vida é o lugar hermenêutico na intelecção mais profunda dos títulos tradicionais ?

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Foi Jesus um “emergente” ?

Posted in Nelson Costa, Teologia. on January 16, 2010 by Nelson Costa

Perguntava-se há anos um dos maiores exegetas da atualidade e respondia : “Jesus foi um emergente . Disso não se deve tirar nem um fio de cabelo, embora as Igrejas e os piedosos protestem e achem que seja blasfémia. Jesus foi emergente porque em nome de Deus e na força do Espírito Santo interpretou e mediu Moisés, a Escritura e a Dogmática a partir do amor e com isso permitiu aos piedosos de permanecerem humanos e até razoáveis”. O quanto isso é verdade, basta recordar o seguinte episódio que releva à maravilha a liberalidade e o horizonte aberto de Jesus: “Disse-lhe João : Mestre, vimos um que em teu nome expulsa os demônios e que não está conosco; e nós lho proibimos porque não está conosco. Disse-lhe Jesus : Não lho proibais, pois ninguém que faça um milagre em meu nome falará depois mal de mim. Quem não está contra nós está conosco”(Mc 9,38-40; Lc 9,49-50). Cristo não é sectário como muitos de seus discípulos ao longo da história. Jesus veio para ser e viver o Cristo e não para pregar o Cristo, ou anunciar-se a si mesmo.

Por isso ele sente realizada sua missão lá onde vê homens que o seguem e fazem, embora sem referência explícita ao seu nome, aquilo que ele quis e proclamou. O que quis está claro : a felicidade do homem que só pode ser encontrada se ele se abrir ao outro e ao Grande Outro (Deus) ( Lc 10,25-37; Mc 12,28-31; Mt 22, 34-40).

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Quando o Cristianismo não faz sentido – 4.

Posted in Nelson Costa, Teologia. on January 13, 2010 by Nelson Costa

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O Cristianismo é autodinâmico.

Onde estou? Para onde devo me voltar?

Aqui havia turbilhão, agora uma montanha de detritos.

E, onde o campo era plano, o cascalho dificulta o meu caminho.

Subo e desço inutilmente;

onde vou me defrontar com minha esfinge ?

Mefisto.

A falta da dialética no Cristianismo hoje, opera como uma bomba de nêutrons espiritual que poupa os corpos enquanto mata as almas.

O monstro enigmático escondeu-se de nós; e hoje, ao vivermos em meio ao mistério vestido na forma de uma catástrofe repentina, completamente indecifrável, nem mesmo imaginada, à falta do mito ou, ao contrário, à sombra dos muitos mitos artificiais, é como se não houvesse nada com que devêssemos nos preocupar.

Carl Gustav Jung, o grande pensador, certa vez perguntou : Que espécie de mito vivemos nos dias de hoje? Ele prossegue assim: O mito cristão, diríamos. Em seguida, pergunta-se: Eu vivo de acordo com ele? E responde : Para ser sincero, não! Bem, então qual é o meu mito? Segue o interrogatório. O mito que eu vivo? Isso já está ficando desagradável, acrescenta, vou abandonar o raciocínio. Cheguei a um limite, escreve.

O que principia além desse limite? O nada? Um novo mito? Ou talvez : um novo mito cujo vínculo ao passado ficará claro tão logo ele se ligue, embora de modo enigmático, ao antigo, como eles costumam surgir e se ligar uns aos outros.

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