Archive for the Psicologia. Category

Não faça uma imagem do “Eu Sou”.

Posted in Psicologia., Vida & Realidade on March 2, 2010 by Nelson Costa

Para muitas pessoas religiosas, a questão popular “O que faria Jesus?”, é essencialmente o mesmo que, “O que eu faria?”. Diante disso, Nicholas Epley, da Universidade de Chicago nos USA, decidiu pesquisar essa idéia através de um intrigante e controverso experimento. Através da manipulação psicológica e cérebro-exploração, ele descobriu que quando os americanos religiosos tentam inferir a vontade de Deus, eles praticamente inferem suas próprias crenças pessoais.

Estudos psicológicos comprovam que, quando se trata sobre a questão da fé, as pessoas são egocêntricas. Elas usam suas próprias crenças como ponto de partida. Epley constatou que o mesmo processo ocorre quando as pessoas tentam adivinhar a mente de Deus. As opiniões e atitudes no final, são reflexos das crenças que cada indivíduo tem. “As mesmas partes do cérebro humano que definem as crenças, são as mesmas partes que definem a vontade de Deus”, disse Epley.

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Por que a religião ainda permanece ?

Posted in Psicologia., Teologia. on February 20, 2010 by Nelson Costa

Hoje, a freqüente emergência de movimentos religiosos, assim como o empenho aplicado ao fortalecimento das instituições que sobrevivem da veiculação do sagrado, nos demonstram até que ponto o território dos fundamentalismos tem se difundido. É possível, inclusive, que os vínculos que unem a civilização ao sagrado sejam mais fortes em nossa época do que o foram em outros momentos históricos. A zona limítrofe à qual a história da civilização nos trouxe causa tanta perplexidade que a retomada do culto ao Eterno não faz outra coisa senão ilustrar a tentativa de suportar o choque de uma realidade irremediavelmente fragmentada. A difusão do sagrado testemunha a súplica desesperada para que os estilhaços dessa realidade sejam reunidos, ainda que de modo bastante precário, a fim de restabelecer sua unidade imaginária.

Por essa razão, Lacan (2005) dirá que a religião está destinada a triunfar em nossa época. O triunfo da religião sobre a ciência e também sobre a psicanálise se justifica porque, na prática religiosa, Deus é a garantia de que há, ainda, uma verdade estável e permanente. O Onipotente confere estabilidade para aquilo que é, em si mesmo, pura contingência. Realizando um movimento contrário, a ciência e, mais precisamente, a psicanálise, nos informa que o estado real de nossa realidade é exatamente aquilo que podemos assistir a olho nu, e que as mídias, ao seu modo sensacional, não cessam de nos informar: jogo contínuo com o imprevisível, ausência de garantias ou controle.

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Um conflito entre Titãs.

Posted in Psicologia. on September 29, 2009 by Nelson Costa

É indiscutível a capacidade intelectual de Slavoj Zizek, autor internacionalmente reconhecido de importantes livros, alguns dos quais já publicados em língua portuguesa. Devido, justamente, a esta capacidade é que fiquei espantado com a quantidade de erros grosseiros em seu artigo publicado no caderno Mais com o título “Luta de Classes na Psicanálise”, que trata da diferença entre Freud e Jung (?). Esta interrogação indica uma dúvida que tive ao ler o supracitado artigo: quem é o Jung de Zizek? Parece-me que este Jung é a leitura popularizada, domesticada e pasteurizada executada por Joseph Campbell, mais o “new age” insosso, repetitivo e apaziguador de James Redfield, mais a estranha interpretação “junguiana” de Takovski, somadas às opiniões que Freud e Lacan possuem de Jung, tão parciais e capengas quanto às de Jung em relação a Freud.

Nada disso, porém, é realmente novo. Uma das “coisas” que os críticos de Jung têm em comum é a ausência quase que total de parâmetros mínimos para um razoável trabalho crítico, ou seja, começar sempre pela leitura atenta e criteriosa do autor em julgamento. Isto não foi feito por Zizek. Não há indícios que apontem quais livros de Jung foram lidos, sem falar na fortuna crítica, que no caso junguiano é bastante rica. A única citação existente é do livro “Memórias, sonhos e reflexões”, onde Jung menciona a palavra rizoma que Zizek, apressadamente, identifica com o rizoma deleuziano. Este trecho, de qualquer maneira, encontra-se logo no início do livro, o que não deixa claro até onde ele prosseguiu na leitura direta de Jung.

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