Nelson Costa Jr » Teologia

Quando o assunto é a interpretação de textos, a honestidade proíbe a certeza.

Kevin Vanhoozer.

Acreditar em absolutos de “particulares básicos”? A certeza cartesiana, um conhecimento absoluto fundamentado no sujeito do conhecimento, não é possível nem cristã. O cristão é um “particular básico” – um conceito primitivo que não pode ser explicado por algo mais básico. Prefiro perguntar de onde vem essa posição elevada. Prefiro rejeitar todas as formas de posições privilegiadas acima do fluxo.

John Caputo.

Pois a letra mata, mas o Espírito vivifica (2 Co 3.6).

Aquilo que constitui um texto é algo escorregadio de se definir

Geoffrey Hartaman.

Um critério apenas funciona em determinada prática social, porque um grupo de pessoas precisa “que algo seja feito”. O leitor desse critério, não é só um consumidor, mas também um produtor de significado. Gostemos disso ou não, o que encontramos em textos bíblicos muitas vezes é influenciado por quem somos e onde estamos. Isso pode não ser totalmente óbvio, mas, tendemos a acreditar que a maneira pela qual vemos as coisas reflete verdadeiramente a maneira como as coisas são. Ou seja, não só os textos bíblicos necessitam de desmitificação, mas também nossas maneiras de lê-los.

É certo que a Bíblia possui poder limitado. Ela precisa esperar pacientemente nas prateleiras até que um leitor a pegue, abra e comece a ler. Querendo ou não, ela se encontra à mercê dos caprichos do leitor – Interpretação boa ou má. Um texto bíblico pode ser memorizado ou decorado, ou pode ser usado para decorar o fundo de uma gaiola. De qualquer forma, o texto não pode retrucar, protestar ou se defender. Os leitores parecem ter sempre a última palavra. Eles podem ignorar as Escrituras, pular páginas, acrescentar coisas e, enfadados, podem descontextualizar e interromper tudo. Os textos bíblicos podem parecer inteligentes – Já dizia Sócrates sobre textos -, mas, quando lhe fazemos uma pergunta, eles ou guardam um silêncio solene, ou “dizem sempre a mesma coisa”. O versículo bíblico por exemplo, é desafortunado e desamparado, inerte e mudo, até ser tomado por um leitor.

A Bíblia, na era da escravidão interpretativa que, executa os “desígnios providenciais do senhor” – como um mecanismo de defesa – contra a pós-modernidade, se parece com um boneco de ventríloquo: ele serve como oportunidade para que se projete a própria voz.  Ela passa a ser percebida. Em sentido restrito, torna-se uma oportunidade para os leitores perceberem a si mesmos. Ela se torna um espelho. E sabemos que, se um asno olha para ela, não se pode esperar que um apóstolo olhe de volta. Como dizia Kierkegaard:

E as interpretações, então: 30.000 diferentes!

Read the rest of this entry »

Se supusermos que a Bíblia é um livro com um significado determinado e autorizado por um autor, vamos lê-la encerrada em uma instituição acadêmica que autoriza um paradigma interpretativo restrito.

Francis Watson.

É legítimo interpretar os textos metaforicamente, como se eles fossem metáforas? Tanto Ricoeur quanto Derrida concordam que aquilo que vale para a metáfora também se aplica aos textos. Existem pelo menos três maneiras pelas quais os textos se parecem com metáforas: (1 Assim como a metáfora, o texto desvia-se de seu sentido literal em virtude de ser escrito e, portanto, liberto de seu autor e de sua situação original. Em outras palavras, assim como a metáfora, o texto é “transferido” para um novo domínio semântico. Portanto, o texto é livre para entrar em associação criativa com novos contextos e abordá-los. (2) Graças a essa transferência, a referência textual torna-se indeterminada. O que os textos são torna-se uma função de como os leitores os entendem em novos contextos. Dessa forma, assim como a metáfora, o texto tem múltiplos significados.(3) Da mesma maneira que não se pode substituir uma metáfora por uma paráfrase literal, não se pode simplesmente substituir o texto por uma interpretação (e.g., a obra dos conceitos). Existe um excedente de significado em ambos que resiste à tentativa do intérprete de reduzi-los a um significado literal ou unívoco.

Read the rest of this entry »

Silogismos da amargura.

postado em: Teologia

O Inferno — tão exato como um atestado.
O Purgatório — falso como toda alusão ao Céu.
O Paraíso — mostruário de ficções e de insipidezes…

A trilogia de Dante constitui a mais alta reabilitação do diabo empreendida por um cristão.

CIORAN, E.M. Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2011.

O professor de filosofia da Universidade de Londres A. C. Grayling lançou o livro The Good Book: A Secular Bible (O Livro Bom: Uma Bíblia Secular, ainda sem edição no Brasil), uma espécie de guia para ateus. Ao lado do cientista Richard Dawkins e do escritor Christopher Hitchens, Grayling, 62 anos, é um dos expoentes do chamado Novo Ateísmo, que milita pelo abandono de religiões e superstições. Assim como na bíblia cristã, a obra de Grayling começa no Gênesis e segue para Lamentações e Provérbios, tudo organizado em capítulos e versos. “A estrutura bíblica é convidativa e acessível. O leitor pode escolher trechos ou seções para ler separadamente”, diz o autor.

Porém, nas 608 páginas da obra de Grayling não há sequer uma menção à palavra “Deus” ou qualquer outra referência divina, mas sim citações e conceitos de grandes pensadores como Aristóteles, Isaac Newton e, não podia faltar, Charles Darwin. O autor acredita que há pensamentos profundos e sérios sobre o bem nas grandes tradições não-religiosas que seriam mais humanos e vivíveis — sem estar sob o comando de uma autoridade.

Antevendo críticas, Grayling já declara: “Quase tudo escrito em meu livro vem de grandes mentes do passado. Quem atacá-lo automaticamente atacará Cícero, Confúcio e por aí vai”. Para terror dos religiosos deterministas , Grayling chegou a elaborar os 10 mandamentos dos ateus, estes sim redigidos a partir de suas próprias ideias. “Só espero não me tornar um ‘deus’. Certamente eu não seria bom nisso.”

Read the rest of this entry »

Nas áreas de teologia, de estudos de religião e de diálogo entre as religiões diversos elementos da obra de Tillich servem para possibilitar a superação do próprio Tillich na direção que ele começava a trilhar nos últimos anos de sua vida. É importantíssima a contribuição que fez a todas as formas de estudos de religião com sua análise da humanidade enquanto portadora do sentido de Deus. Expressou tal pensamento de maneira sucinta: “Um deus desaparece; a divindade permanece”. Tal sentido irrecusável do divino vem da apropriação que faz de Platão para apoiar a teologia cristã bem como para expressar a universalidade da religião. É provável que sua contribuição à antropologia teológica seja mais importante do que sua cristologia. Essa antropologia baseava-se na memória viva que tem a humanidade de sua origem divina em contraste com a alienação em que vive agora. Essa mesma memória funciona como impulso na direção da recuperação plena da antiga intimidade com o divino perdida na existência. Esta dialética pode ainda ser considerada uma análise convincente da gênese da religião no espírito humano

Quando Tillich afirma que a humanidade é universalmente religiosa, partindo da tensão entre o universal e o particular, precisa localizar o particular no contexto mais amplo do universal. Em vez de considerar a realização plena do universal na revelação cristã, parecia, agora, decidido a relativizar a particularidade cristã no contexto dessa humanidade universalmente religiosa. A reviravolta implícita nessa nova ênfase exigiria que o teólogo cristão apreciasse positivamente as demais manifestações do essencial em outras épocas, culturas e tradições. Nem por isso o compromisso com a fé cristã seria diminuído. Ao contrário, a fé seria aprofundada por meio do reconhecimento das infinitas variações daquilo que os cristãos percebem no evento Cristo, tanto nas religiões como nas culturas seculares. O poder do simbólico nas diferentes religiões aumentaria com essa percepção.

Ao privilegiar o universal, Tillich, nos últimos escritos, desenvolvia idéias latentes capazes de transformar a relação entre o cristianismo e as outras religiões da conversão para o diálogo. As religiões, a partir do reconhecimento mais amplo do caráter religioso universal e autenticamente presente na humanidade, ampliariam a consciência coletiva e individual, facilitando o diálogo a respeito de diferenças de ênfases, símbolos, valores, rituais e seus efeitos nas circunstâncias sociais de suas culturas. Tal atitude suplantaria, por certo, qualquer tipo de proselitismo agressivo. Se a religião puder ser encarada como expressão universal do espírito humano fundamentada na participação do espírito no ser e na vitalidade de Deus, será bem mais difícil universalizar-se quaisquer de suas expressões particulares e mais difícil ainda engajar-se em atividades genocídas e holocáusticas contra os que se comprometem com manifestações alternativas de religiosidade.

Read the rest of this entry »

“ Fiquei impressionado com partes da obra de Nietzsche, que de anticristo mesmo só tem — pelo menos até onde entendi —, um discurso contra a retórica que se fez depois da Cruz. Acho que ele mais entendeu o Cristo que muitos cristãos – nisso me incluo – , e se dizendo “espírito livre”— como também intitulou Jesus — se tornou um cristão dentro dos seus próprios conceitos. Quem não faz o mesmo ? ”

No seu íntimo o cristianismo possui várias sutilezas que pertencem ao Oriente. Em primeiro lugar, sabe que é de pouca relevância se uma coisa é verdadeira ou não, desde que se acredite que é verdadeira. Verdade e fé: aqui temos dois mundos de idéias inteiramente distintas, praticamente dois mundos diametralmente opostos – os seus caminhos distam milhas um do outro. Entender esse fato a fundo – isso é quase o suficiente, no Oriente, para fazer de alguém um sábio. Os brâmanes sabiam disso,Platão sabia disso, todo estudante de esoterismo sabe disso. Quando, por exemplo, um homem sente qualquer prazer através da idéia de que foi redimido do pecado, não é necessário que seja realmente pecador, mas que simplesmente sinta−se pecador. Mas quando a fé é exaltada acima de tudo, disso segue−se necessariamente o descrédito à razão, ao conhecimento e à investigação meticulosa: o caminho que leva à verdade torna−se proibido. – A esperança, em suas formas mais vigorosas, é um estimulante muito mais poderoso à vida que qualquer espécie de felicidade efetiva.

Read the rest of this entry »

Do Caçador de Replicantes: Brabo.

Certo diabo apaixonou-se por Deus sem nunca tê-lo visto. Depois de preparar-se por longo tempo, e com a ajuda de um informante, conseguiu infiltrar-se no complexo celeste e foi comprando com subornos, nível após nível, a vasta hierarquia de segurança que o separava da presença divina. Esse trajeto demorou muitos anos.

Naquela tarde o diabo molhou a mão do penúltimo intermediário e adentrou a ante-sala do trono por uma portinha lateral de serviço, junto da qual o esperava um anjo de cavanhaque e costas muito largas.

– Entre de uma vez – ordenou o anjo, e fechou a porta logo em seguida. A vinte passos deles, alto como uma montanha, dormia em sua cadeira o guardião da sala do trono.

Sem qualquer outro intercâmbio eles transpuseram o espaço até junto da porta da proposição, que está sempre fechada e cujas folhas esculpidas em madeira e revestidas de ouro têm cento e quarenta e quatro mil anos-luz de altura.

– Então – disse o anjo, quando estacaram diante da porta e avaliaram-se pela primeira e pela última vez – é você o diabo que apaixonou-se por Deus e vem procurando uma oportunidade de encontrar-se com ele.

– Apenas me poupe desse ar de superioridade moral – respondeu o diabo, ignorando a pergunta. – porque você sabe muito bem que somos muito parecidos. Nós no inferno odiamos tanto o pecado quanto vocês deste lado do abismo. Se estivesse prestando atenção, perceberia que são só os pecadores, os apóstatas e réprobos que nós atormentamos. Só os pecadores podem ser tentados, e só eles conhecerão a aflição da nossa miséria e do nosso desespero. Os santos, os valorosos e puros despertam apenas nossa admiração; nesses não ousaríamos tocar.

– Ou talvez seja nisso que você quer que eu acredite.

– Acredite no que quiser – pediu o diabo. – Apenas saiba, porque não tenho outra a pessoa a quem dizer, que foi justamente esse amor pela integridade e esse desprezo pela corrupção que fizeram com que eu me apaixonasse pela imagem divina.

O anjo deu de ombros e empurrou a porta, que era tão pesada e vasta que foram necessários mil anos para abrir uma fresta pela qual o diabo pudesse passar. A porta rangeu formidavelmente, mas o guardião em sua cadeira não se moveu nem despertou.

O diabo apertou nas mãos do anjo o valor que haviam ajustado, e fez menção de entrar na sala do trono pela estreita passagem. No último instante o anjo segurou-o pelo braço.

– Só preciso que você não ignore, porque quero ser honesto com você – disse o anjo, – que transposta esta porta a distância até o trono é vasta ao ponto do incalculável, e que quando finalmente chegar você estará velho, cansado e desorientado. Não só isso, mas encontrar-se com Deus terá para você um efeito inteiramente descaracterizador. Bastará contemplar pelo mais breve instante a divina presença para você ser imediatamente consumido por ela. Você não terá oportunidade de admirar a imagem de Deus ou de declarar o seu amor. Você terá gasto a sua vida inteira para chegar até Deus, e irá perdê-la para sempre no instante em que o encontrar. Se deixo você passar é porque sua entrada não representa risco para Deus; mas representa um horrendo risco pra você.

Read the rest of this entry »

“Acredite em suas crenças e duvide de suas dúvidas, bem como duvide de suas crenças e acredite em suas dúvidas.”

A presunção de estar certo não é o pior dos males, no surgimento das dissidências e na aparição do fanatismo. Os métodos de ação é que geram as discordâncias. O reformador supõe, naturalmente, que seu método não é apenas o melhor, mas o único capaz de regenerar, de fazer o homem feliz, de obter a justiça. Quando há resistência ou objeção, nasce a idéia de usar a força, e com ela são criadas as legiões, as tropas de adeptos, os grupos onde ninguém é pessoalmente responsável por coisa alguma e tudo é permitido. A convicção é inofensiva até o momento da praxis, quando as imposições começam a ferir direitos e a restringir a liberdade de outros. A partir desse ponto, toda resistência reforça a certeza, até transformar o convicto num cruzado.

Thomas Arnold em carta à A.P. Stanley, em 1836, lembra que o  fanatismo consiste, afinal, em idolatria pura e simples, na  medida em que o fanático cultua alguma coisa que é criação do seu desejo. Ele viu muito longe quando disse que fanatismo é idolatria. Fabricamos as imagens que vamos adorar em seguida, e essas imagens podem ser concretas, abstratas ou especulativas. Cultuar alguma coisa feita por aquele que rende culto é idolatria – um círculo ilusório, que conduz sempre ao mesmo ponto. A intuição interior tende para a linha reta, sem as curvas que num tempo variável conduzem a si próprias, numa repetição eterna. Os fanáticos têm medo da incerteza, e por isso são determinados e rígidos. Voltados numa só direção, transmitem a idéia de que sabem o caminho, o que não acontece. Na verdade estão andando em círculos.

Read the rest of this entry »

Às  vezes posso ouvir a canção da santa masmorra que confronta os pensamentos que corrompem o coração humano com o determinismo ideológico. Ela é suave certos instantes, e agressiva em outros. Ela diz que as implicações da vida estão vivas. Ela diz que o imperador está nu, mas que, muitas vezes, nada muda quando expomos sua nudez.

Nessa santa torre descobri que o problema maior da ideologia religiosa não é a religião e o seu problema em si, mas sim, as novas ideologias a qual se opõem contra ela com as mesmas máscaras que um dia a corrompeu.

Quem se arriscar a entrar nessa torre, descobrirá que lá o professor é ensinado por seus alunos, o ator é estimulado por sua audiência, o médico é curado pelos seus pacientes, e o pastor é salvo pelos pecadores.

Muitos passaram por esse lugar. Lá, um homem chamado Abraão descobriu Hagar. Um outro, depois de batizar o filho de Deus, e ouvir uma voz do céu, perguntou a um homem simples: Quem é esse Jesus de Nazaré? Numa outra época, um outro intruso da torre que possuía um senso de ordem descobriu que, não conhecia o amor, quando se irritou com Deus por ter perdoado a corrupção de um povo a qual o fez acabar dentro do estômago de uma baleia. Num desses castelos, um homem numa cruz questionou seu Pai: Por que me desamparaste? Possivelmente, nesse momento, alguém está numa dessas torres; mas não percebeu ainda. Não consegue abrir o coração. Não deseja que ninguém o veja cego e nu, ou desesperado no mar das questões. Enfim, exemplos do passado e do presente dessa torre é o que não faltam.

Ô maravilhosa graça! Como é bom saber que um dia pude ver; e agora estou cego! Que um dia fui salvo; e agora estou perdido! É bom saber que o lugar que tu operas nunca é num lugar confortado pela certeza do absoluto. Seu mover só se dá aonde existe liberdade; uma condição que muitos não aceitam devido a fraqueza de espírito – Devido não desejar a masmorra.

Logo, como expressar o valor desse local? Qual seria o melhor discurso para descrevê-lo? Qual é o seu plano?

Muitos vivem a vida no caminho que o destino estabelece para eles – como se fosse Deus que tivesse determinado. Com muito medo, deixam de explorar outros. Mas, de vez em quando, algumas pessoas surgem de dentro dos obstáculos só para derrubá-los. Pessoas que percebem de dentro dele que o livre arbítrio é um presente que muitos nunca saberão usar, a não ser que lutem por ele. Por fim, eu acho que esse é o plano da masmorra –  de ensinar o destino a pedir socorro!

O alfabeto da fé.

postado em: Teologia

Nos bancos da frente, as senhoras de idade ligam seus aparelhos de surdez e uma jovem senhora entrega à filha de seis anos um livro e um marcador.

Um calouro universitário, em casa devido às ferias e levado ali à força, está inclinado para frente, com a mão no queixo. O vice-presidente de uma empresa que, naquela semana, havia pensado seriamente em suicídio por duas vezes, coloca o hinário no encosto do banco da frente. Uma garota grávida sente a vida se mexendo dentro dela. Um professor de Matemática do Segundo grau que, por 20 anos, conseguiu manter sua homossexualidade oculta para a maioria das pessoas, inclusive ele mesmo, dobra o programa do culto ao meio com seu polegar e o coloca embaixo da perna (…) O pregador puxa a pequena corda que acende a luminária do púlpito e revira as notas feitas em cartões, como se fosse um jogador de casino. As apostas nunca foram tão altas!

(Extraído de “ The Alphabet of Grace – Frederick Buechner).

Acho muito interessante a frase do meu amigo Peter Rollins : “To believe is human; to doubt divine” – Acreditar é humano; duvidar é divino. Ou seja, onde não houver espaço para a dúvida, também não haverá espaço para especular sobre o que  a fé, no sentido mais amplo, significa – Basta analisar a realidade dos personagens bíblicos.

A fé é nostalgia. É um nó na garganta. A fé é mais um passo adiante do que uma posição, mais um pressentimento do que uma certeza. A fé é espera. Ela está caminhando no tempo e no espaço.

Portanto, se alguém se achega a mim e me pede ( o que acontece com frequência) para falar sobre minha fé, é exatamente sobre essa jornada no tempo e no espaço que falo. Os altos e baixos das lágrimas, os sonhos, os momentos particulares, as intuições. Falo sobre a sensação ocasional que tenho de que a vida não é uma sequência de eventos que gera outros eventos tão a esmo, quanto uma tacada no jogo de bilhar faz que as bolas se afastem em diferentes direções, mas que a vida tem um roteiro, assim como num romance – aqueles eventos que, de algum modo, nos levam a algum lugar.

Read the rest of this entry »