Nelson Costa Jr » Vida & Realidade

Para muitas pessoas religiosas, a questão popular “O que faria Jesus?”, é essencialmente o mesmo que, “O que eu faria?”. Diante disso, Nicholas Epley, da Universidade de Chicago nos USA, decidiu pesquisar essa idéia através de um intrigante e controverso experimento. Através da manipulação psicológica e cérebro-exploração, ele descobriu que quando os americanos religiosos tentam inferir a vontade de Deus, eles praticamente inferem suas próprias crenças pessoais.

Estudos psicológicos comprovam que, quando se trata sobre a questão da fé, as pessoas são egocêntricas. Elas usam suas próprias crenças como ponto de partida. Epley constatou que o mesmo processo ocorre quando as pessoas tentam adivinhar a mente de Deus. As opiniões e atitudes no final, são reflexos das crenças que cada indivíduo tem. “As mesmas partes do cérebro humano que definem as crenças, são as mesmas partes que definem a vontade de Deus”, disse Epley.

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Provavelmente você conhece a dos dois monges, mas vou contar mesmo assim. Um dia eles estavam caminhando, quando chegaram a um riacho onde uma jovem estava à espera, com a esperança de que alguém a ajudasse a atravessar. Sem hesitar, um dos monges a levantou e carregou para o outro lado, pondo-a no chão em segurança.

Os dois monges continuaram caminhando e, depois de um tempo, o segundo, incapaz de se conter, disse ao primeiro: “Você sabe que não temos permissão para tocar em mulheres. Por que você carregou aquela mulher de um lado para o outro do rio?” O primeiro monge respondeu: “Ponha-a no chão. Eu já a pus no chão há duas horas.”

De: CAGE, John. A year from monday. New lectures and writings. Wesleyan University Press, 1969, p.133.

Vale a pena assistir todo o vídeo.

Houve um tempo em que o homem era uma criação divina, uma criatura de destino trágico, sedenta de redenção. Hoje a ideologia religiosa tirou do homem o universo, a subjetividade e suas dimensões trágicas do destino humano. Ele é confinado a uma existência determinada, onde seu destino é traçado pelas origens, pela raça ou pela classe social. Além disso tudo, a ideologia religiosa tirou dele a verdade humana, ou seja, a simples percepção da vida.

Logo, o que fazer ? Seria possível que, ao longo desses anos, todos os escritores e filósofos tivessem se enganado ? Seria possível que durante os milênios seguintes não se pudesse pensar nada de novo, somente reiterar a verdade conhecida?

Na confusão geral das idéias hoje, no diálogo entre as várias confissões cristãs e no confronto com as várias religiões somos levados a nos perguntar com toda a simplicidade:

Que quer Deus  afinal ? Que quis e que veio trazer afinal Jesus Cristo? Que estamos fazendo quando professamos a fé cristã e tentamos viver a mensagem de Jesus imitando e seguindo sua vida  ?

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A medida que as décadas passavam, descartei uma a uma as palavras de ordem enganadoras da liberdade enganadora, o “inexplicável”, o “engano histórico”, o “não-racionalizável” e as tautologias semelhantes; os gestos de superação; não fui tentado nem pela visão clara de Deus; mas eu sabia que na minha desgraça se abrigava não somente desgraça, mas também redenção, se meu coração fosse corajoso o suficiente para acolher a redenção, essa forma selvagem da clemência – se fosse capaz de reconhecer a clemência nessa forma bastante selvagem.

E, se hoje me perguntam o que me mantém ainda na Terra, o que ainda me mantém vivo, respondo sem rodeios: o amor.

Do diário das galés de Imre Kertéz .