Nelson Costa Jr

Numa conhecidíssima passagem de Resistência e Submissão, Bonhoeffer descreve de modo extremamente incisivo a superação da religião no momento histórico atual:

“O tempo em que se podia dizer tudo com palavras teológicas ou pias passou, assim como passou o tempo da interioridade e da consciência, isto é, o tempo da religião em geral. Vamos ao encontro de uma época completamente não religiosa; os homens, assim como são, não podem mais ser religiosos. Mesmo aqueles que se definem sinceramente ‘religiosos’ não o praticam absolutamente; por ‘religioso’ eles entendem provavelmente algo de completamente diferente. Toda a nossa predicação e teologia cristã do século vinte é construída no a priori religioso do homem. O ‘cristianismo’ foi sempre uma forma (talvez a verdadeira forma) da ‘religião’. Mas quando um dia será evidente que esse ‘a priori’ não existe de fato, mas que foi uma forma expressiva do homem, historicamente determinada e transitória, quando, isto é, os homens se tornarão realmente não religiosos de maneira radical – e eu acho que já, mais ou menos, é o nosso caso – o que significará então isso para o cristianismo? É subtraído o terreno sobre o qual se apoiava até agora todo o nosso ‘cristianismo’”.

Portanto o teólogo e o pastor de almas que querem continuar a ação do Cristo e querem levar a sua Nova de salvação aos homens do nosso tempo devem procurar propor tal Nova e a própria figura do Cristo nas categorias não religiosas e atéias na cultura pós-moderna.

Se você investigar o histórico escolar dos jovens matriculados nos cursos mais concorridos das melhores universidades, descobrirá que a maioria esmagadora deles jamais gastou um segundo sequer de suas vidas memorizando falácias lógicas. Já os que recorrem a faculdades particulares de quinta categoria parecem dispender uma quantidade significativa de seu tempo fazendo isso.

Em geral, quanto mais inteligente um organismo, menor é a quantidade de regras que você precisa ensina-lo – você dá-lhe objetivos e um vocabulário argumentativo. Se, por outro lado, você adestra uma horda de idiotas indefesos contra as ameaças mais risíveis, você precisa abastecê-los com um verdadeiro arsenal de regras e truques -  é um comportamento compensatório.

Imagine que Fred olhe pela janela e diga: “O solo lá fora está úmido. Deve ter chovido.” Ele está dando um argumento. O que deveríamos pensar disso? Poderíamos dizer:

Oh, querido, como o pobre Fred é medíocre! Ele obviamente está afirmando o seguinte: se chove, o solo fica úmido; o solo está úmido, portanto choveu. Se ele alguma vez tivesse frequentado um curso de lógica e erística ele saberia que ele acabou de cometer a falácia da afirmação do consequente!

Sim, poderíamos dizer isso, mas (parafraseando Haldeman parafraseando Nixon) isso seria um erro. É simplesmente desarrazoado e, na verdade, injusto, acusar Fred de cometer uma falácia assim tão flagrante quando uma interpretação alternativa deste argumento está prontamente disponível. Pois, embora Fred pudesse estar raciocinando dedutivamente e cometendo a falácia em questão, o mais provável é que ele estivesse raciocinando indutivamente, mais ou menos da seguinte maneira:

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Não plante uma “ Tulip” num jardim reformado.

Richard A. Muller.

A tradução não repete simplesmente o passado, mas desenvolve-o. Os intérpretes cristãos, acima de tudo, deveriam ser pessoas que têm esperança na recriação.

Vincent B. Leitch.

Devo começar com uma confissão, talvez estranha, mas sincera. Acredito que tenha vivido durante muito tempo sob ditaduras, num meio intelectual hostil e desesperadoramente estranho, para que pudesse desenvolver uma certa consciência crítica sobre sistemas. Por que não sou Calvinista? Como que alguém que viveu as convicções do poder judiciário em família, não possa aceitar tal  ideologia ? Seja como for, tal experiência me colocou frontalmente numa realidade única: Sou existencialista; deixo o milagre para quando Deus quiser – mas nem isso afirmo. Em vista disso, fui assaltado por dúvidas e comecei a passar o tempo se observando. Como teria certeza sobre a vontade de Deus, se sempre, em minhas conclusões, me deparava com o conflito do meu Jonas interior?  (Aqui, me refiro a experiência do profeta neotestamentário com Deus). Portanto, porque não sou um calvinista? A resposta é óbvia: Porque não acredito em mim mesmo – Ao menos, posso dizer que cheguei a essa posição sem rodeios.

Mas chega de nove horas e vamos a teologia. Afinal de contas, não é isso que trata esse blog ? Além do mais, afirmar que exista algum motivo de crer, ou não crer, num descritivo correto sobre algo devido a uma experiência familiar, não seria uma forma de absolutismo epistemológico?

Não sou Calvinista porque acredito que nenhum homem entende as Escrituras perfeitamente, a menos que tenha sido crucificado. Antes de qualquer coisa, deixem-me esclarecer uma objeção. Em primeiro lugar, será que minha abordagem é a de um fundamentalista que anseia por uma certeza subjetiva e incentiva os indivíduos a participarem de uma interpretação teológica carnavalesca? Não exatamente. Ao contrário, abracei um não-realismo crítico que não tende a retirar seu entendimento da verdade apenas de cânones do empirismo científico. Que não se aproxima de Deus somente através de uma interpretação precisa ao seu respeito.Em segundo lugar, será que minha abordagem pressupõe que a verdade da Bíblia está relacionada a sua correspondência com a liberdade de? Não necessariamente. Argumento que os cristãos confrontam a realidade de maneiras diferentes, apesar de muitos não entenderem que são como crianças da era científica ( De maneira irônica, o calvinista foi aprisionado por uma imagem enganadora, e moderna, de significado e verdade). Logo, meus motivos não estão baseados em meus esquemas interpretativos da tradição reformada, não seria tal relativismo auto-refutador ou, no mínimo, incoerente? Mas sim, na virtude teológica reformadora que pressupõe que todas as interpretações são provisórias (semper reformata pressupõe a corrigibilidade de nossas interpretações), e na clareza das Escrituras que prova não possuir nenhum valor absoluto nem uma propriedade abstrata, mas uma função específica relativa a seu objetivo particular: ser testemunha do Cristo.

É verdade que o calvinismo oferece uma maneira de terminar as divagações que com tanta freqüência  caracterizam o processo de interpretação bíblica. No entanto, o caminho para dentro não leva para a Terra Prometida, mas de volta para o Egito; a certeza teológica que eles desejam só pode ser alcançada recorrendo-se a algum tipo de autoridade discursiva, intencionalmente incompleta e praticável: As Escrituras nos ensinam, que somos livres para usar, e criticar os sistemas de pensamento e os modelos descritivos – O “ Midrash” também nos ensina isso.

Acredito que os calvinistas estejam certos em sua preocupação de preservar um realismo de significado, e em seu desejo de deixar a Bíblia falar por si própria. No entanto, o realismo deles é um tanto ingênuo por tender a equacionar o significado do texto através de  uma epistemologia objetivista. Infelizmente eles esquecem que o conhecimento cristão não é simplesmente uma questão de possuir as descrições certas, mas de ter as disposições certas. As interpretações bíblicas não são verdadeiras, corretas ou justificadas meramente porque alguma tradição acredita que elas sejam assim; precisamos ir atrás de descobertas incomensuráveis, e não de invenções etnocêntricas. Precisamos não simplesmente aprovar, mas continuar a provar nossas interpretações, no sentido de colocá-las à prova. De maneira específica, testamos nossas interpretações, primeiro, submetendo-as a uma epistemologia crística e, depois, entrando em uma conversação mais ampla com outros intérpretes a respeito do texto. Os calvinistas tipicamente abstêm-se do segundo teste, na verdade ignorando completamente o problema hermenêutico. Às vezes, eles dão a impressão de que a principal dificuldade interpretativa é vir a “aceitar” a Bíblia, e não determinar o que ela diz e buscar como aplicar isso. Com relação ao espectro da moralidade do conhecimento hermenêutico, os calvinistas tendem a escorregar em direção ao dogmatismo.

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O Senhor da Audição.

postado em: Teologia

“ O progresso epistêmico é possível apenas se alguém primeiro se predispuser a admitir que está errado”  - Paul Noble

O Espírito, diz Karl Barth, é o “ Senhor da audição”. Para que os leitores se apropriem do texto bíblico, é necessário mais do que puro esforço exegético, é necessário a dúvida. Quando lutamos para alcançar o entendimento, não estamos lutando contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades deterministas. Ler é uma luta com o texto contra aqueles poderes que estabelecem o entendimento. Também estamos lutando contra nós mesmos, contra nossa ânsia por poder, contra a tendência a totalizar e a nos tornamos senhores absolutos em relação aos outros. Enfim, se o Espírito é o Senhor da audição, e esse senhorio não gera novas descobertas e  significados, esse espírito na verdade é um tipo de suplemento hermenêutico classificatório que, coloca a filosofia acima do coração aquebrantado – É qualquer coisa menos o Espírito.

Se existe na verdade algum “Espírito” na leitura bíblica, esse Espírito com certeza troca qualquer imperativo  hermenêutico por uma comunidade sincera. Observe as Escrituras por exemplo:

Neemias 8 apresenta um provocante estudo de caso do tipo “Senhor da audição”. Ele mostra Esdras em uma plataforma de madeira elevada para a finalidade específica de ler a lei de Moisés aos exilados que acabavam de retornar a Jerusalém. Quando Esdras abriu as Escrituras, as pessoas, abaixo dele, ficaram literalmente “ posicionadas sob” o texto. A subsequente resposta que deram à leitura mostrou que elas utilizaram mais o texto do que entenderam – O Templo estava destruído, logo, a apropriação do significado lido teria que ser muito mais do que mera regras hermenêuticas a serem seguidas.

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O Deus mentiroso.

postado em: Filosofia, Teologia

Os filósofos esticam o significado de palavras até que essas mal conservam algo do seu sentido original; chamam alguma abstração borrada que criaram de “Deus” e posam para o mundo inteiro como deístas, crentes que conheceram um conceito mais puro de Deus, embora seu Deus seja apenas uma sombra sem substância, e não mais a personalidade poderosa da doutrina religiosa.

FREUD, Sigmund. Die Zukunft einer Illusion. Leipzig: Internationaler Psychoanalytischer Verlag, 1927.

O jeito moderno de representar as histórias bíblicas do nascimento de Jesus normalmente as transforma em tocantes contos para crianças, mas é bastante possível que os primeiros cristãos as lessem como manifestos políticos, além de espirituais. Essa é a tese do livro  ” The First Christmas “  do  americano Marcus Borg, da Universidade do Oregon (EUA), e o irlandês John Dominic Crossan, da Universidade DePaul (também nos Estados Unidos).

O livro “ The First Christmas – What the Gospels Really Teach about Jesus Birth” deixa em segundo plano as questões sobre os detalhes históricos da vinda de Cristo ao mundo. A intenção dos pesquisadores é descobrir o que os evangelistas Mateus e Lucas, autores das duas narrativas sobre a natividade (o nascimento de Jesus) que foram preservadas na Bíblia cristã, queriam expressar com seus textos. Para eles, o tema comum por trás das narrativas é a rejeição do projeto imperial de Roma, que dominava um quarto da população do planeta na época, em favor de um projeto alternativo para a humanidade, representado por Jesus e seu evangelho.

“As histórias do primeiro Natal são, em geral, anti-imperiais. Em nosso contexto, isso significa afirmar, seguindo as histórias da natividade, que Jesus é o Filho de Deus (e o imperador não é), que Jesus é o Salvador do mundo (e o imperador não é), que Jesus é o Senhor (e o imperador não é), que Jesus é o caminho para a paz (e o imperador não é)”, escrevem os autores.
Em resumo, dizem Borg e Crossan, as histórias da natividade provavelmente foram escritas para ser lidas como “histórias subversivas”, ou seja, cuja intenção era subverter as visões sobre a fé e a política que eram dominantes no mundo romano no século I d.C., mas que os cristãos queriam transformar. Com esse objetivo, os evangelistas parecem ter voltado o vocabulário e a retórica de seus opressores contra eles.

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A interpretação…

“ Parece bom para nós agora” – Mitologia Branca.

Podemos ter conhecimento sem determinados pontos de partida ou posições sagradas vantajosas?

Humanos não são nem anjos (sentido figurado), que sabem as coisas imediatamente, nem brutos estúpidos, incapazes de resolver suas diferenças, exceto pela força bruta. Não possuímos conhecimento absoluto – principalmente sobre Deus, que não é objeto de conhecimento -, apenas conhecimento humano.

Em princípio, há um fim para o conflito sobre uma hermenêutica emergente; na prática, o próprio conflito pode ser a solução. O desafio para lidar com o conflito emergente é chegar a um modelo de racionalidade interpretativa que não pressupõe nem fundamentos absolutos nem um ponto de vista livre de valores, por um lado, nem leituras arbitrárias e carregadas de valor, por outro. Podemos concordar com o mestre Derrida nisso: “Os intérpretes não desfrutam de qualquer ponto de vista privilegiado, e não contextual, com base no qual podem recuperar o significado sem sua mediação por meio dos signos.  Se as coisas fossem simples, a notícia teria se espalhado”.

A interpretação teológica emergente pode ser comparada com a navegação. Da mesma forma que os leitores buscam se orientar em relação ao texto bíblico, os marinheiros também se orientam nos mares. Uma escuna tem determinada posição mesmo se não puder apontar essa posição com precisão absoluta. De maneira significativa, o capitão pode estabelecer sua posição sem ter de recorrer a algum fundamento. A localização espacial é relativa e pode ser determinada usando-se quaisquer objetos possíveis como pontos de referência ( sol, estrelas, faróis, terra, etc). Como bem dito pelo filósofo Renford Bambrough: “ Não existem objetos ou locais específicos que sejam os pontos ou linhas de referência básicos ou fundamentais para a localização de todos os outros objetos”. Podemos estabelecer a determinabilidade, num texto bíblico ou em alto-mar não porque nos orientamos por meio de pontos que são fixados uns em relação aos outros. O significado de uma palavra pode não ser imutável ou absoluto, mas isso não significa que ela não tenha significado determinado. Uma língua pode não ter um centro absoluto ou fundamento( nenhuma chave interpretativa), mas mesmo assim seus termos estão em uma relação determinada uns com os outros. Ou como disse meu amigo Elienai Jr. sobre a fé: “ Fé, , porque nada sabemos, além do que imaginamos de tudo o que ouvimos, antes de viver os poucos dias que nos cabem”

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Quer nesse Natal deixar os ismos religiosos um pouco de lado, e mergulhar nas teorias?  Em conjunto com Hélio Schwartsman,  fica minha dica:  “The Case for God – What Religion Really Means” (uma defesa de Deus –o que a religião realmente significa), de Karen Armstrong, a ex-freira convertida e estudiosa das religiões.

Com a erudição que lhe é peculiar, Armstrong traça um panorama das mais variadas manifestações de religiosidade desde o Paleolítico até nossos dias e identifica o ateísmo como um fenômeno relativamente recente, que só se tornou possível porque, com o advento da ciência e outras coisinhas mais, o significado de termos como “crença” e “fé” mudou radicalmente.

O ponto central da argumentação da autora é que a esmagadora maioria das culturas pré-modernas sempre operou com duas modalidades de pensamento, às quais os gregos chamavam de “mythos” e “lógos”. Ambas eram consideradas essenciais e complementares. O “lógos”, que podemos traduzir como “razão”, era o modo pragmático. Servia para cuidar dos afazeres cotidianos, construir ferramentas, controlar o ambiente, em suma, para garantir o pão nosso de cada dia. Mas, ele não dava conta de tudo. O “lógos” era incapaz, por exemplo, de nos consolar diante da perda de um ente querido ou mesmo de indicar um sentido último para a vida. Nessas horas de transcendência entravam os “mythoi” (mitos), com suas histórias fantásticas sobre heróis e deuses, dores e esperanças. Eles funcionavam, diz Armstrong, como uma forma primitiva de psicologia. Com sua linguagem cifrada e nem sempre coerente, tocavam aspectos da psique humana que não estavam acessíveis ao “lógos”.

Uma característica importante do “mythos” é que ele não serve a seus propósitos se for apenas comunicado como uma informação ordinária. Para cumprir seu papel a contento, esse modo de pensamento exige que o “paciente” se envolva em atividades práticas, que variam bastante conforme as características de cada religião e cultura. É só com o apoio dos rituais, dos cânticos, das danças ou mesmo de meditação e exercícios, como na ioga, que o “mythos” pode atingir sua plenitude.

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Ao criar os humanos, Deus não considerou a verdade, eterna como ele próprio, de que a lei em sua essência está fadada à transgressão. Os teístas acham que todos os deuses exceto o deles são falsos. Os ateus simplesmente não abrem uma exceção para este último.

Encontrei o texto abaixo no excelente blog Debunking Christianity via Sotnaspg,  criado pelo apóstata John Loftus.  Loftus é pós-graduado em estudos teológicos, é ex-aluno de William Lane Craig, autor de vários livros utilizados e recomendados tanto por acadêmicos cristãos quanto por céticos, e vem desafiando Bill Craig para um debate desde que este passou a assediar Richard Dawkins. Craig vem se esquivando alegando não querer transformar Loftus num apologista anticristão. O que me chamou a atenção no texto foram o sexto e o oitavo sintomas. Onde é que você já viu isso antes?

Listo abaixo, sem nenhuma ordem em particular, o que considero os dez sintomas (ou características) apresentados por uma pessoa iludida. Acredito que mesmo cristãos intelectualizados concordarão com a maioria delas. Veja quantos dos items listados se aplicam a você; quanto maior a pontuação, mais provável é que você esteja iludido pela sua fé. Agora, é perfeitamente possível que pessoas religiosas possam estar iludidas e ainda assim sua fé seja verdadeira, de maneira idêntica a uma pessoa que sofreu lavagem cerebral ou foi doutrinada para acreditar na verdade. Mas a questão é que se você é uma pessoa iludida, você não possui nenhuma boa razão para acreditar.

É mais provável para uma pessoa iludida, em relação a uma que não está iludida…

1. Ter nascido e crescido em sua fé religiosa. Isto é um fato indiscutível e inegável dado o número de religiões espalhadas ao redor do globo e a adesão e a convicção incondicionais com que são aceitas como a única fé verdadeira.

2. Como adulto nunca adota ou cultiva a atitude madura da dúvida. Todos os adultos devem revisar a fé religiosa que lhes foi ensinada por seus parentes uma vez que o primeiro sintoma acima é inegavelmente verdadeiro. O que significa que eles devem duvidar. A dúvida é a atitude adulta.

3. Nunca lê muito ou é exposto em grande escala a outros pontos de vista nos meios de comunicação. Falo de obras de não-ficionais sobre as ciências, culturas diferentes, fés diferentes, e aquelas produzidas por céticos ou descrentes. Para evitar ser iludido, os crentes deveriam ler livros escritos por pessoas pertencentes a diferentes culturas ou comunidades religiosas, e assistir programas no History Channel, National Geographic Channel, Discovery Channel, PBS, 60 Minutes, Dateline, e, porque não, YouTube.

4. Nunca faz longas viagens, incluindo viagens a regiões culturalmente diversas. Uma pessoa iludida só experimenta uma fatia fina do bolo. Uma pessoa deve conhecer o mundo para ver como os outros vivem. Quanto mais melhor. Uma pessoa assim basicamente fica estagnada dentro dos limites sociais das pessoas religiosas com uma maneira de pensar semelhante. Os amish são um exemplo radical disso. Vários crentes só possuem amigos crentes. Mesmo se os crentes não puderem viajar ao redor do mundo ainda lhes é possível variar um pouco seu círculo social e encontrar pessoas que pensam diferente. A maioria dos crentes não confiam em descrentes ou em pessoas que professem uma fé diferente. Procure-os. Compareça a uma reunião de livres-pensadores. Conheça-os. Faça amizade com eles.

5. Nunca se aprofunde no estudo da essência de sua fé. Quanto mais você sabe menos você acredita, menos convicto você se torna, e mais você duvida.

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